Avançar para o conteúdo principal

As lições do Gaspar

Por ocasião de um encontro do FMI e do Banco Mundial, o ministro das Finanças Português, Vítor Gaspar, deu Portugal como exemplo do que não se deve fazer. Seguramente outros, num futuro talvez não tão longínquo, façam o mesmo pegando nas palavras de Vítor Gaspar para mostrar maus exemplos.
O ministro das Finanças fala nos erros das políticas expansionistas, em particular dos anos Sócrates. Resta saber o que o impede de corrigir alguns desses erros, designadamente no que diz respeito às parcerias público-privadas. Ou o expansionismo é só para alguns casos? Não lhe ficaria mal reduzir o expansionismo de tachos e panelas que o circundam, só para dar mais um exemplo.
As lições de Gaspar, assentes na cegueira neoliberal que é tão do agrado do FMI e Banco Mundial (Gaspar fala entre amigos e para amigos), ignoram o abrandamento do crescimento das ultimas décadas, fruto do abandono do sistema de Bretton-Woods; ignora deliberadamente que o fosso entre ricos e pobres aumenta significativamente sob a égide do sistema que tanto defende. Assim como se esquece de referir que este modelo de capitalismo assente no sector financeiro, o mesmo que estigmatiza o expansionismo apenas tem beneficiado uma escassa minoria. Lembre-se que quando a maioria começar a sentir na pele as agruras do sistema, os fantasmas do passado regressarão. O crédito e o subsequente consumismo desenfreado já não escondem os baixos níveis salariais, o Estado Social, suporte das sociedades, vai paulatinamente desaparecendo.
As lições do Gaspar esbarram em equívocos e na própria história económica. Este vai ser dos últimos a acordar. Está demasiado tempo agarrado ao pensamento único.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Fim do sigilo bancário

Tudo indica que o sigilo bancário vai ter um fim. O Partido Socialista e o Bloco de Esquerda chegaram a um entendimento sobre a matéria em causa - o Bloco de Esquerda faz a proposta e o PS dá a sua aprovação para o levantamento do sigilo bancário. A iniciativa é louvável e coaduna-se com aquilo que o Bloco de Esquerda tem vindo a propor com o objectivo de se agilizar os mecanismos para um combate eficaz ao crime económico e ao crime de evasão fiscal. Este entendimento entre o Bloco de Esquerda e o Partido Socialista também serve na perfeição os intentos do partido do Governo. Assim, o PS mostra a sua determinação no combate à corrupção e ao crime económico e, por outro lado, aproxima-se novamente do Bloco de Esquerda. Com efeito, a medida, apesar de ser tardia, é amplamente aplaudida e é vista como um passo certo no combate à corrupção, em particular quando a actualidade é fortemente marcada por suspeições e por casos de corrupção. De igual forma, as perspectivas do PS conseguir uma ma...

Mais uma indecência a somar-se a tantas outras

 O New York Times revelou (parte) o que Donald Trump havia escondido: o seu registo fiscal. E as revelações apenas surpreendem pelas quantias irrisórias de impostos que Trump pagou e os anos, longos anos, em que não pagou um dólar que fosse. Recorde-se que todos os presidentes americanos haviam revelado as suas declarações, apenas Trump tudo fizera para as manter sem segredo. Agora percebe-se porquê. Em 2016, ano da sua eleição, o ainda Presidente americano pagou 750 dólares em impostos, depois de declarar um manancial de prejuízos, estratégia adoptada nos tais dez anos, em quinze, em que nem sequer pagou impostos.  Ora, o homem que sempre se vangloriou do seu sucesso como empresário das duas, uma: ou não teve qualquer espécie de sucesso, apesar do estilo de vida luxuoso; ou simplesmente esta foi mais uma mentira indecente, ou um conjunto de mentiras indecentes. Seja como for, cai mais uma mancha na presidência de Donald Trump que, mesmo somando indecências atrás de indecência...