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Viragem da crise

O Presidente do BCE, Mario Draghi, não vai tão longe ao ponto de falar num ponto de viragem da crise, embora reconheça sinais de estabilização nos últimos meses. O optimismo moderado contrasta com a degradação das condições de vida visível nos países mais afectados por aquilo que começou por ser uma crise do sector financeiro e subitamente passou a ser uma crise das dívidas soberanas.
Se por um lado nada se aprendeu e pouco ou nada mudou com a crise do sector financeiro, ao ponto de ter caído no esquecimento colectivo, pouco ou nada se está a aprender com as suas consequências, designadamente com aquilo que se tem designado como crise das dívidas soberanas.
O funcionamento do BCE permanece o mesmo, a ideologia neoliberal que subjaz às políticas seguidas no seio da UE agudiza-se e o próprio funcionamento da moeda única continua assente em premissas erradas que beneficiam uns, em detrimento de outros, colocando em risco o próprio projecto europeu.
O Presidente do BCE tenta moderar o seu optimismo, mas ele está lá e justifica-se. De facto, o sector financeiro tem sido resguardado da crise e quem tem pago a factura de um capitalismo financeiro selvagem têm sido os cidadãos que vêm o seu futuro comprometido, os que ainda vislumbram um futuro.
Não há razões para qualquer optimismo enquanto se continuar a insistir na mesma receita que nos levou à ruína, sendo certo que esta receita continua a servir os interesses de alguns, como o Sr. Draghi tão bem sabe.

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