Avançar para o conteúdo principal

Questões sociais

Os comentadores do costume rejubilaram com o facto do primeiro-ministro e líder do PSD, por altura do Congresso do partido, ter feito referência a questões sociais. Pedro Passos Coelho falou no flagelo do desemprego.
Ora, Pedro Passos Coelho, o primeiro-ministro, destemido entre portas e subserviente fora delas, fez o favor de nos falar um pouco de questões sociais. Aparentemente e a julgar pelas reacções dos comentadores do costume, não é muito frequente o primeiro-ministro abordar estas questões.
Sejamos sérios. É evidente que o primeiro-ministro tem de abordar as questões sociais, falando porém na importância dos sacrifícios.
Assim, fica demonstrada a sua pretensa preocupação com aqueles que mais sofrem com a crise. Discutem-se estes assuntos com naturalidade e seriedade, como se fosse natural assistir-se a um retrocesso social sem precedentes, como se fosse natural castigar-se que não tem responsabilidades na famigerada crise. Para animar as hostes, o primeiro-ministro, rodeado de uma inanidade assustadora, mostrou a sua determinação em mudar o país, rompendo com o passado. Não querendo cair na ratoeira do pessimismo, duvido que essas mudanças passem pela promiscuidade entre poder político e poder económico, que, aliás, o seu partido tem vindo a promover (à semelhança do que o PS tem feito).
Em suma, os comentadores ficaram agradados, o mesmo se passou com os líderes do patronato, membros do CDS e o inefável líder da UGT. Sem novidade, a gente do costume, a mesma que tem um peso incomensurável na construção deste país.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Direitos e referendo

CDS e Chega defendem a realização de um referendo para decidir a eutanásia, numa manobra táctica, estes partidos procuram, através da consulta directa, aquilo que, por constar nos programas de quase todos os partidos, acabará por ser uma realidade. O referendo a direitos, sobretudo quando existe uma maioria de partidos a defender uma determinada medida, só faz sentido se for olhada sob o prisma da táctica do desespero. Não admira pois que a própria Igreja, muito presa ao seu ideário medieval, seja ela própria apologista da ideia de um referendo. É que desta feita, e através de uma gestão eficaz do medo e da desinformação, pode ser que se chumbe aquilo que está na calha de vir a ser uma realidade. Para além das diferenças entre os vários partidos, a verdade é que parece existir terreno comum entre PS, BE, PSD (com dúvidas) PAN,IL e Joacine Katar Moreira sobre legislar sobre esta matéria. A ideia do referendo serve apenas a estratégia daqueles que, em minoria, apercebendo-se da su...

Outras verdades

 Ontem realizou-se o pior debate da história das presidenciais americanas. Trump, boçal, mentiroso, arrogante e malcriado, versus Biden que, apesar de ter garantido tudo fazer  para não cair na esparrela do seu adversário, acabou mesmo por cair, apelidando-o de mentiroso e palhaço.  Importa reconhecer a incomensurável dificuldade que qualquer ser humano sentiria se tivesse que debater com uma criança sem qualquer educação. Biden não foi excepção. Trump procurou impingir todo o género de mentiras, que aos ouvidos dos seus apoiante soam a outras verdades, verdades superiores à própria verdade. Trump mentiu profusamente, até sobre os seus pretensos apoios. O sheriff de Portland, por exemplo, já veio desmentir que alguma vez tivesse expressado apoio ao ainda Presidente americano. Diz-se por aí que Trump arrastou Biden para a lama. Eu tenho uma leitura diferente: Trump tem vindo a arrastar os EUA para lama. Os EUA, nestes árduos anos, tem vindo a perder influência e reputação ...