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O Perdão

O Governo grego anunciou que garantiu um perdão da dívida, num processo de reestruturação em que para a mesma o poder de decisão do Governo grego - governo fantoche que em nada dignifica a democracia e que pouco ou nada representa o povo grego - foi nulo.
Diz-se agora que o perdão significa o afastamento do fantasma da bancarrota. Dito assim, parece que a Grécia conseguiu um bom negócio, livrando-se de dívida que terá um menor impacto no PIB. Será conveniente ter, pelo menos, dúvidas quanto às vantagens que este acordo supostamente tem para a Grécia.
As informações que a comunicação social divulga são genéricas e não raras vezes enviesadas e com os representantes da UE também não podemos contar para detalhes que não passem pela linguagem convenientemente cifrada, que mais não é do que uma indicação de que estes assuntos aparentemente tão intrincados não são para os leigos, para o comum dos cidadãos. Aliás, quanto menos informação, menos risco de pensamento e de questionamento.
O perdão alegadamente tão necessário e tão profícuo para a Grécia deve ser encarado com prudência. E se há uma lição que os últimos anos nos têm mostrado é que nesta equação a banca nunca perde.

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