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O estigma do voto

É recorrente, e este blogue não será propriamente uma excepção, criticar-se a escolha dos eleitores, designadamente quando a mesma não se coaduna com as nossas próprias escolhas e quando o Governo entretanto eleito já se encontra em funções. No caso deste blogue fazem-se inúmeras referências à bipolarização das escolhas no período da democracia.
Todavia, não é meu objectivo dar lições de moral ou estigmatizar quem exerce democraticamente o seu direito e dever de votar, mesmo votando em quem eu não concordo. Antes prefiro abordar as consequências da tal bipolarização do que estigmatizar quem votou neste ou naquele partido.
Infelizmente, há quem não resista em fazer essa estigmatização, criticando incessantemente quem votou neste ou naquele partido. Ora, nenhum de nós é dono da verdade e embora a experiência nos ensine que os dois partidos do arco do poder não têm tido a melhor conduta ou produzido os melhores resultados, essa tem sido a escolha da maioria e como tal deve ser respeitada.
Podemos no entanto chamar a atenção para a relutância dos cidadãos em fazer novas escolhas e forçar outros caminhos. Assim como é importante sublinhar-se a acção da comunicação social e a sua importância nessas escolhas, nem que seja pela pouca ou nenhuma importância dada a partidos ou movimentos fora do tal arco do poder.
De qualquer modo, não me parece particularmente democrático insistir na condenação daqueles que ainda insistem em votar em quem tem contribuído de forma tão evidente para a nossa ruína. Será preferível argumentar em sentido contrário a determinadas visões e convicções sem no entanto estigmatizar quem pelo menos exerce democraticamente um seu direito. É mais profícuo contribuir para a mudança do que insistir em denegrir quem permanece imutável. Até porque erros, todos os cometemos e não vale a pena martirizar a pessoa, é preferível mostrar-lhe como a mudança é possível e desejável.

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