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Dívidas dos hospitais

A ameaça de uma empresa farmacêutica de deixar de fornecer vários hospitais públicos é motivo de preocupação. A decisão da empresa é moralmente errada, mas a verdade é que esta ou como outras empresas - mesmo as que operam na área da saúde - não pautam as suas acções pela moral, mas antes pelo lucro.
Segundo a empresa, a decisão está relacionada com os atrasos de pagamento que superam os quinhentos dias. Ora, está em causa o fornecimento de medicamentos essenciais para a vida de muitos doentes, incluindo doentes oncológicos.
São conhecidas as dificuldades do Sistema Nacional de Saúde e a tendência que o Estado tem em pagar com anos de atraso as suas dívidas. Todavia, em particular em alturas de crise, impõe-se que o Governo determine prioridades - áreas em que a aposta do Estado tem de ser uma realidade insofismável. A saúde é indiscutivelmente uma dessas áreas.
Infelizmente, esta não é uma prioridade deste Governo, como de resto não foi exactamente do anterior. O Estado Social é para ser desmantelado, mesmo que se passe o tempo a fingir o contrário. As dívidas dos hospitais são mais um sinal do enfraquecimento do Estado Social e da péssima gestão da coisa pública - o que de facto até ajuda à sustentação de que o dinheiro não chega para tudo, mesmo para áreas essenciais ao bem-estar das populações.

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