Avançar para o conteúdo principal

Ou pagam ou...

Morrem? É a pergunta que se deve colocar a Manuela Ferreira Leite que sugeriu que os doentes com mais de 70 anos que necessitem de hemodiálise têm de pagar os tratamentos. "Têm sempre direito se pagarem".. A frase é da inefável senhora que noutros tempos excitou-se com a pretenso modelo democrático madeirense e que noutros tempos ainda não muito remotos mostrou nova excitação com a possibilidade de suspender a democracia durante seis meses.
Já no passado Ferreira Leite pôs em causa o Sistema Nacional de Saúde (SNS), designadamente o seu carácter universal e gratuito. Agora diz exactamente o que pensa sobre a matéria. Não é possível pagá-lo, por conseguinte, acabe-se com ele. Quanto aos pacientes com mais de 70 anos e que tiveram o infortúnio de padecerem de uma doença que só eles próprios sabem o quanto destrói a vida de uma pessoa que paguem o serviço, se puderem...
Esta senhora é conhecida por ser moderada. Lá se foi a moderação para dar lugar ao radicalismo do pensamento único, do país sem recursos, do empobrecimento com a agravante de atingir quem já tem uma vida tão difícil.
O SNS com todos os defeitos que lhe possam ser apontados, continua a ser um passo no sentido do progresso de um país que se quer civilizado. Destrui-lo é destruir inequivocamente o próprio Estado social - a agenda neoliberal já nem procura disfarçar este seu objectivo e Ferreira Leite junta-se ao rol de arautos de uma ideologia falida e assente no pior do ser humano.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

O anacronismo do PCP

Domingos Lopes, destacado militante comunista, decidiu abandonar o partido e explicar o porquê desse abandono. As explicações deste militante vão na mesma linha de outros que se afastaram voluntariamente ou que foram convidados a sair e centram-se na aversão do partido ao diálogo, a dificuldade visível em lidar com a pluralidade de opinião, e na ortodoxia cega que este partido demonstra ter em relação ao que se passa no mundo. É por demais evidente que a saída do militante em questão não terá sido fruto do acaso, a pouco menos de duas semanas de um importante período eleitoral. As razões que estão subjacentes à saída de Domingos Lopes poderão não ser totalmente conhecidas, mas aquilo que é enunciado pelo ex-militante do PCP em matéria de visão do mundo e democracia interna do partido já é sobejamente conhecido. Aliás, as opiniões de dirigentes do PCP sobre regimes totalitários como o norte-coreano já não provocam espanto em ninguém. Dentro do partido há quem se reveja nototalitarismo ...

Afinal não há referendo sobre o Tratado de Lisboa

Tudo indica que o primeiro-ministro vai anunciar hoje a ratificação do Tratado de Lisboa por via parlamentar. Fica assim excluída a hipótese de o mesmo tratado ser ratificado por via referendária. Segundo alguns órgãos de comunicação social, o primeiro-ministro não foi imune às opiniões do Presidente da República, mas também de vários líderes europeus que se opõem à possibilidade de referendo, entre os quais Angela Merkel, Sarkozy e Gordon Brown. Recorde-se que foi feita uma espécie de acordo entre os vários líderes europeus no sentido de fazer a ratificação do tratado sem levantar problemas, ou dito de outro modo, o processo de ratificação nos vários Estados-membros deve ser feito através dos parlamentos. De qualquer modo, os cidadãos europeus ficam, mais uma vez, fora das decisões europeias. Ninguém contesta a legitimidade dos parlamentos para se pronunciarem sobre essa matéria específica, o que se trata é da construção europeia e a sua viabilidade a médio e longo prazo. Ora, se por ...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...