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Ocupação

Ocupação, humilhação, excessos e egoísmos são palavras que encaixam na perfeição na proposta alemã que postula que o orçamento grego deve ser gerido por um funcionário da Comissão Europeia. Isto, claro está, se a Grécia não cumprir as metas estabelecidas pela Troika, muito em particular, pela Alemanha.
As reacções foram, em larga maioria, de incredulidade, a começar na reacção do próprio ministro das Finanças grego que relembrou lições do passado. De facto, o passado é assunto de somenos para uma liderança alemã com fraca e de fraca memória. Nem se recordam das dívidas perdoadas oriundas da Segunda Guerra mundial, nem tão-pouco se recordam das lições a retirar de uma Europa dividida entre quem subjuga e quem é subjugado.
A ocupação proposta pela Alemanha é uma afronta não só para a Grécia como para toda a Europa. O projecto europeu já não deambula pelas ruas da amargura, mas está antes liquidado. Essa liquidação tem responsáveis; o fim do projecto europeu tem responsáveis.
O perigo já não parece ser apenas da bancarrota da Grécia, mas no horizonte vislumbram-se perigos ainda mais acentuados, entre os quais esta proposta de ocupação.
Todavia, se analisarmos com atenção a história da Europa nos últimos meses, percebemos que o enfraquecimento das democracias na Grécia e em Itália, com a demissão dos governos e imposição de outros governos escolhidos pela Alemanha, é apenas um dos mais visíveis sinais do fim do projecto europeu. Esta proposta da Alemanha vem apenas no seguimento de um projecto de domínio que está a substituir o projecto europeu.

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