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A crise e a educação

Enquanto o país tenta recuperar do choque proveniente do facto do Presidente da República ser também ele alguém que não tem o suficiente para pagar as despesas, o jornal Publico noticia que existem cada vez mais estudantes do ensino superior a abandonar os cursos por dificuldades económicas.
A notícia não pode constituir surpresa. Afinal de contas, estudar é cada vez mais dispendioso e num contexto de dificuldades haverá quem deixe de poder suportar esse custo. Todavia, o que é preocupante é vivermos sob a bitola da indiferença e da continua ausência de visão estratégica.
Com o actual Governo já se percebeu que o futuro pouco ou nada importa. Não há visão estratégica, aliás não há visão para além daquela que ambiciona o aumento da austeridade, o consumar do fim do Estado Social - em suma, a aplicação de um verdadeiro neoliberalismo.
Nestas circunstâncias, a educação passa assim a ser uma fonte de parcimónia a todo o custo. Para além do desinvestimento, acresce ainda as dificuldades que as famílias e alunos atravessam. Nem sequer é necessário escrever muitas linhas a defender a tese de que o país assim não retomará o caminho do desenvolvimento. Essa é uma verdade evidente.

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