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Direitos Humanos

Nos negócios a questão dos Direitos Humanos raramente tem lugar. Não será, por conseguinte, de surpreender as afirmações que António Mexia fez ontem numa entrevista televisiva. Nessa intervenção, abundaram os elogios ao Governo português que agiu sem sucumbir aos preconceitos. Quando a pergunta incidiu sobre os direitos humanos, o silêncio foi a resposta.
Com efeito, já se tinha percebido que os Direitos Humanos pouca ou nenhuma importância tinham e têm nos negócios. Mas o mais grave é quando esses mesmos Direitos Humanos pouca importância têm para os representantes políticos. No caso em apreço, a verdade é que a postura do Governo também não causa grande espanto, afinal de contas, o Governo português adoptou uma postura de quem se está nas tintas para os Direitos Humanos. Já se percebeu que a China é um exemplo para o Governo - em caso de dúvidas veja-se o retrocesso em matéria de direitos laborais que se está a verificar, em nome de uma pretensa competitividade.
Em suma, privatização da EDP constituiu uma vitória para um Governo que se entretêm em vender o país, o facto de ter sido à China Three Gorges menos surpreenderá - pouco interessa para o caso questões de somenos como é o caso dos Direitos Humanos. Recorde-se a celeuma que se gerava em torno do anterior primeiro-ministro José Sócrates a países como a Venezuela. Agora, nem uma palavra sobre o assunto. Afinal de contas temos de vender o país e o mais rápido possível. É a crise, é a dívida, é o défice, é o empobrecimento, é inevitável.

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