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O inevitável alastrar da crise

A crise das dívidas soberanas já não se cinge apenas aos países periféricos da Europa e alastra-se para países como a Bélgica e França. Este último país já está a pagar mais pelos seguros de risco de incumprimento (os famigerados CDS). Chega-se a pôr em causa o rating francês de AAA. Bélgica, Holanda e Áustria estão a pagar taxas de juro mais altas .
Afinal de contas nada disto deve constituir novidade. Trata-se tão simplesmente do alastrar da crise. Pensar-se que o problema ficaria contido dentro da esfera dos países periféricos é pura ingenuidade. O desaceleramento das economias europeias e a incapacidade da Europa resolver os seus problemas não inspiram confiança aos sacrossantos mercados.
No essencial, é a própria arquitectura da Zona Euro que não é funcional. Não se mudar a natureza do Banco Central Europeu, a não existência de um verdadeiro orçamento, as assimetrias sociais em países que partilham a mesma moeda, a existência de concorrência fiscal e a inexistência de uma verdadeira política de investimento assente noutras formas que não a banca comercial é adiar o inadiável que mais não é do que o fim da zona euro.
O adiamento destas reformas, a rejeição da união política, possivelmente numa perspectiva federalista são factores que culminarão com o enfraquecimento de toda a Zona Euro como as notícias de hoje bem demonstram.
Podemos estar certos do seguinte: com as actuais lideranças europeias o insucesso é garantido. Por cá, o Governo de Passos Coelho faz boa figura perante a Troika. De pouco lhe vai valer. E a nós, cidadãos, muito nos vai custar.

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