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Pacote anti-crise

A Alemanha e a França prometeram a apresentação de um novo pacote anti-crise já para o final deste mês. Em cima da mesa estarão assuntos sensíveis como a recapitalização da banca e a difícil situação na Grécia. Por outro lado, o banco Dexia será nacionalizado pelo governo belga, mais um sinal da fragilidade do sistema financeiro. Um sistema que não se reformou e continua a servir de plataforma para todo o tipo de voracidade. O mesmo sistema que não tirou uma lição do que se passou em 2008.
No contexto da Zona Euro é visível o grau de desorientação entre os principais líderes europeus, embora o Presidente da Comissão tudo faça para passar a imagem contrária. A Alemanha está presa a uma ideologia que têm posto em causa a sobrevivência da própria Europa e enquanto isso não for plenamente assimilado, continuaremos a marcar passa até ao descalabro.
Sem querer cair em exercícios de futurologia não se espera muito deste novo pacote anti-crise. Não se pode esperar muito de quem se recusa em deixar cair o neoliberalismo que será o coveiro da Europa.
A saída da Europa, designadamente da Zona Euro, teria que passar pela existência de um orçamento digno desse nome. pela uniformização fiscal, pela revisão das funções do BCE, pelo combate às disparidades sociais. Tudo isto implica um esforço hercúleo de todos e quem neste momento está numa situação mais favorável não vê vantagens nestas mudanças. E implicaria uma mudança na ideologia dominante. A mesma que nos vêm condenando ao fracasso pelo menos desde o Tratado de Maastricht.
Com efeito, as famigeradas euro-bonds poderiam ser um passo no sentido certo, mas seriam apenas isso, apenas um passo e são necessários muitos mais. A Europa continuando a trilhar o caminho actual está condenada, só não vê quem não quer. Além do mais, recorde-se que a Alemanha não é apologista das tais euro-bonds. O tal pequeno passo, quanto mais os outros.

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