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Mais austeridade em cima da austeridade

O Orçamento de Estado 2012 penaliza severamente funcionários públicos e pensionistas. Lamentavelmente há quem regozije com as medidas, quem não é afectado, como não podia deixar de ser. O primeiro-ministro de rosto fechado anunciou aquilo que. segundo o próprio, nunca pensou ter de fazer. A brutalidade das medidas são, segundo o Governo, consequência dos anos anteriores e do laxismo que caracterizou esses mesmos anos.
Mais uma razão para os cidadãos terem conhecimento das contas do Estado, incluindo todas as negociatas e, como não podia deixar de ser, a dívida. Afinal que dívida é esta, como é que foi gerada, quais os contornos e para quê.
Olhando para o futuro e para as consequências da austeridade, percebe-se que essa mesma austeridade vai ter um duro impacto na economia do país. Quem trabalha vive com medo de perder o emprego, quem está em situação de desemprego, não encontra uma réstia de esperança, quem tem pequenas e médias empresas dificilmente consegue sobreviver. A recessão será maior do que a prevista e é desta forma que se pretende que o país pague as suas dívidas - dívidas que só um conjunto de eleitos conhece na sua totalidade.
A Troika, sempre a Troika. Alega-se a necessidade de se atingir determinadas metas, sob pena de não se conseguir regressar aos mercados. Alega-se que se está a tomar o único rumo possível. A comunicação social intoxica repetido como se de um papagaio se tratasse a mesma lenga-lenga. Só há este caminho, dizem-nos até à exaustão.
Não é verdade que só haja este caminho. As negociações com a UE e com o FMI poderiam sofrer adaptações se estivéssemos a falar de políticos afundados no mau cheiro da sua subserviência. A despesa poderia sofrer outros cortes, designadamente numa reestruturação das negociatas feitas entre os governos anteriores e algumas empresas, poderia pôr-se um fim aos pedidos de pareceres de toda a natureza - que custam milhões ao erário público -, aproveitando os recursos do Estado. A Administração Pública necessita de ganhos de eficiência que nunca são equacionados. O Estado pode desburocratizar procedimentos para facilitar a implementação e realização de negócios. O Governo poderia reestruturar a plêiade de rendas - muitas chamadas parcerias público-privadas - que representam uma parte importante da despesa. O Governo podia pedir mais à banca, podia penalizar mais negócios que em nada contribuem para o crescimento económico; não chega falar por alto de se taxar transferências financeiras para offshores.
Não. Prefere-se atacar a classe média, como de resto, é habitual. Prefere-se o caminho dos impostos, sendo que esse caminho, já se sabe revela-se sempre contraproducente. Escolhe-se o caminho mais fácil que também é o caminho seguido pelos arautos da ideologia liberal, como é o caso de Passos Coelho. Escolhe-se a total submissão aos mercados, enquanto se destrói o Estado Social, se eliminam os direitos dos trabalhadores e se compromete o bem-estar social. Tudo para agradar à Sra. Merkel e aos sacrossantos mercados, enquanto se é consonante com a sua própria ideologia.
Sejam honestos e digam aos Portugueses de que forma é que o Governo anterior comprometeu a consolidação orçamental; sejam democráticos e expliquem-nos que dívida é esta que somos chamados a pagar; sejam corajosos e não se verguem com tanta facilidade aos mercados que depois de perdas incomensuráveis com a crise de 2008 viraram as suas atenções para as chamadas dívidas soberanas.
Dos fracos, dos subservientes e dos cobardes não reza a História.
Amanhã, dia 15 de Outubro, os Portugueses e cidadãos de outros países vão sair à rua para mostrar que não vão aceitar viver subjugados ao poder económico enquanto vêem as democracias minguarem de dia para dia. As pessoas vão sair à rua para mostrar que não se combate esta crise com austeridade, com a destruição da esperança e do futuro das pessoas. As pessoas vão sair à rua numa clara demonstração que querem recuperar aquilo que é nosso e que se chama democracia.

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