segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Indignados

Este movimento de cidadãos de vários países começa a ganhar forte expressão nos Estados Unidos, designadamente na cidade de Nova Iorque. Trata-se de um conjunto de cidadãos que se insurgem contra os ditames de Wall Street, contra a desregulação e a selvajaria que caracteriza uma minoria que domina a maioria. Em bom rigor, estes indignados já não suportam a ganância daqueles que levaram o mundo para a pior crise dos últimos oitenta anos.
Os indignados americanos não são diferentes dos indignados espanhóis ou dos indignados gregos. Estes indignados à semelhança de outros têm-se insurgido contra uma das injustiças mais gritantes das últimas décadas. Paralelamente pretendem recuperar a verdadeira democracia e não esta plutocracia que tem dominado o mundo.
É interessante verificar a tibieza com que a comunicação social dá ênfase a estes assuntos e como a autoridades dos países lidam com este fenómeno - amiúde carregando com toda a sua força sobre os manifestantes.
Em Portugal, o Governo e as forças de segurança estão atentos aos movimentos similares. Ontem noticiava-se que era expectável que as manifestações de descontentamento em Portugal sejam as mais graves dos últimos trinta anos. Passos Coelho já falou que não admitirá tumultos. Lança-se deliberadamente a confusão entre manifestações garantidas pela Lei Base do país e delinquência.
O facto é que o movimento dos indignados merece também ter expressão em Portugal. Partilhamos muitos dos mesmos problemas que todos os outros indignados e devemos mostrar isso mesmo no próximo dia 15 de Outubro. Todos temos razões para nos mostrar contra o rumo seguido: contra a austeridade que redunda em desemprego e miséria; contra a iniquidade na repartição dos esforços; na incapacidade de se regular e supervisionar aqueles que nos levaram até esta crise; contra a existência de toda a obscuridade em torno de uma dívida apenas conhecida por alguns; e, essencialmente, contra o enfraquecimento das democracias inexoravelmente subjugadas pelos senhores das finanças.
O povo ainda é soberano e é isso mesmo que devemos mostrar no dia 15 de Outubro, porque somos todos (ou quase todos) indignados.

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