Avançar para o conteúdo principal

Estado Social e a esquerda

A nossa democracia, saída da Revolução de Abril tem subjacente um contrato social que se consubstancia no Estado Social. Contrariamente ao que por aí se diz, não será a direita a defender e a concretização do Estado Social. Dizer-se que os países que tem melhor Estado Social estão à direita da social-democracia é ignorar os sucessos conseguidos por essa mesma social-democracia no norte da Europa, por exemplo.
A tese que postula que é a direita a fazer a melhor defesa do Estado Social cai por terra quando esses mesmos partidos, uma grande parte pelo menos, aplicam políticas que directamente ou indirectamente enfraquecem o Estado Social. Na Europa, ninguém pode honestamente refutar que o modelo social europeu - um exemplo para o mundo - tem sido posto em causa e embora os partidos sociais-democratas sejam responsáveis por alguma inércia na procura da sua consolidação, tem sido a direita a contribuir indelevelmente para o enfraquecimento do Estado-Social na Europa.
Por outro lado afirmar-se que o socialismo afugenta o investimento não é sério. Além do mais há inúmeros exemplos pela Europa fora de coligações entre partidos sociais-democratas e partidos mais esquerda (designadamente os "verdes") que não arruinaram economicamente esses mesmos países.
Sejamos sérios: quem está a arruinar as economias, pondo em causa não só o Estado Social, assim como a prosperidade dos povos tem sido a ideologia neoliberal (que eu saiba é de direita) que, para além de ser responsável pela crise - com a luta pela desregulação e pela ausência de maior controlo sobre o sector financeiro -, é também responsável por uma aplicação de políticas de excessiva austeridade que estão a matar as economias, inviabilizando o crescimento económico, levando os países para a miséria. Em caso de dúvidas, recomendo a leitura do relatório "Trade and Development" de 2011 da ONU.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Direitos e referendo

CDS e Chega defendem a realização de um referendo para decidir a eutanásia, numa manobra táctica, estes partidos procuram, através da consulta directa, aquilo que, por constar nos programas de quase todos os partidos, acabará por ser uma realidade. O referendo a direitos, sobretudo quando existe uma maioria de partidos a defender uma determinada medida, só faz sentido se for olhada sob o prisma da táctica do desespero. Não admira pois que a própria Igreja, muito presa ao seu ideário medieval, seja ela própria apologista da ideia de um referendo. É que desta feita, e através de uma gestão eficaz do medo e da desinformação, pode ser que se chumbe aquilo que está na calha de vir a ser uma realidade. Para além das diferenças entre os vários partidos, a verdade é que parece existir terreno comum entre PS, BE, PSD (com dúvidas) PAN,IL e Joacine Katar Moreira sobre legislar sobre esta matéria. A ideia do referendo serve apenas a estratégia daqueles que, em minoria, apercebendo-se da su...

A outra doença

Quando todos se empenham no combate ao perigoso vírus, outras doenças subsistem, das quais se destacam a imbecilidade de líderes como Donald Trump e Jair Bolsonaro e uma União Europeia que pouco se esforça para mostrar algum resquício de espírito de união. Agora aparece o Presidente do Eurogrupo e também ministro das Finanças português, pouco entusiasmado, a apresentar um pacote de 500 mil milhões de euros de dívida, perdão, ajuda. Desses 500 mil milhões sobram algumas migalhas para Portugal. De resto, a Europa continua dividida entre países como a Alemanha e os Países Baixos e os países do sul. O egoísmo gritante de uns matará o que resta desta anedota, como quase matou em 2008.. Entretanto, e enquanto os líderes dessa Europa aplicam as suas energias em bloquear soluções, o fascismo vai fazendo o seu caminho, livremente, na Hungria e na Polónia, Estados-membros da UE. Havermos de superar o vírus que paralisou o mundo, mas dificilmente resistiremos à doença do egoísmo nesta espéci...