quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Estado Social e a esquerda

A nossa democracia, saída da Revolução de Abril tem subjacente um contrato social que se consubstancia no Estado Social. Contrariamente ao que por aí se diz, não será a direita a defender e a concretização do Estado Social. Dizer-se que os países que tem melhor Estado Social estão à direita da social-democracia é ignorar os sucessos conseguidos por essa mesma social-democracia no norte da Europa, por exemplo.
A tese que postula que é a direita a fazer a melhor defesa do Estado Social cai por terra quando esses mesmos partidos, uma grande parte pelo menos, aplicam políticas que directamente ou indirectamente enfraquecem o Estado Social. Na Europa, ninguém pode honestamente refutar que o modelo social europeu - um exemplo para o mundo - tem sido posto em causa e embora os partidos sociais-democratas sejam responsáveis por alguma inércia na procura da sua consolidação, tem sido a direita a contribuir indelevelmente para o enfraquecimento do Estado-Social na Europa.
Por outro lado afirmar-se que o socialismo afugenta o investimento não é sério. Além do mais há inúmeros exemplos pela Europa fora de coligações entre partidos sociais-democratas e partidos mais esquerda (designadamente os "verdes") que não arruinaram economicamente esses mesmos países.
Sejamos sérios: quem está a arruinar as economias, pondo em causa não só o Estado Social, assim como a prosperidade dos povos tem sido a ideologia neoliberal (que eu saiba é de direita) que, para além de ser responsável pela crise - com a luta pela desregulação e pela ausência de maior controlo sobre o sector financeiro -, é também responsável por uma aplicação de políticas de excessiva austeridade que estão a matar as economias, inviabilizando o crescimento económico, levando os países para a miséria. Em caso de dúvidas, recomendo a leitura do relatório "Trade and Development" de 2011 da ONU.

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