sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Cortes e subserviência


Depois da sangria fiscal que mais dia menos dia matará a economia. Depois de se ignorar um elemento crucial e que se prende com o aumento das dívidas e dos défices consequência da ausência de crescimento económico, surge agora o Governo com os cortes na despesa.
Ao invés do Estado incidir o seu ímpeto troikista nas parcerias público-privadas, nas empresas públicas que mais não são do que grandes centros de emprego para alguns priveligiados e sorvedouros de dinheiros públicos; ao invés do Estado aproveitar os recursos existentes, em particular os recursos humanos, deixando assim de despejar dinheiro cada vez que necessita de um estudo ou de um parecer; ao invés do Governo pôr um fim à partidocracia, o Governo de Passos Coelho, se surpresa, vai incidir os cortes no Estado Social.
Segundo os jornais será um corte de 1500 milhões de euros na Saúde. Educação e Segurança Social. O Estado Social. Vamos assistir a um retrocesso social sem precedentes para se insistir em políticas falidas de recessão que nos levam para o abismo que se poderá consubstanciar na saída do Euro.
De facto, foi interessante ver tanta subserviência e ausência de coerência por parte de Passos Coelho aquando do seu encontro com a inefável Angela Merkel. Depois dos agradecimentos à chanceler, talvez justificados pela destruição da agricultura e pescas portuguesas e pela desindustrialização do país e porventura para justificar as compras ridículas feitas com recurso ao crédito à Alemanha exportadora, Passos Coelho mostrou o pior dos governantes portugueses: a postura de inexorável subserviência. Passos Coelho, fora do país e talvez não só, cessou por completo o pensamento, passando a acenar com a cabeça de cada vez que Merkel abria a boca.
Todos nós, uns mais do que outros, mas todos, colectivamente, vamos assistindo à destruição do país - destruição social e económica. Espera-se, por conseguinte, que os cidadãos, acusados invariavelmente de moleza, mostrem que não é bem assim e que saibam combater a ditadura do pensamento único e da teoria da inevitabilidade. Não custa ter esperança. Pelo menos por enquanto.

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