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O regresso da boçalidade

A prestação ontem do Presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, constitui um regresso à boçalidade. Desde a ofensa gratuita aos partidos da oposição, passando pela recusa em aceitar uma crítica e a incapacidade de a rebater, e a culminar com o gesto obsceno para os jornalistas, a política na Madeira é de baixíssimo nível e o principal responsável é o Presidente do Governo Regional da Madeira.
O espírito democrático há muito que deixou de pairar sobre a Madeira e as reacções de Alberto João Jardim parecem não surpreender ninguém. Porém, a sua reacção às críticas de Paulo Portas deram o mote a um regresso ao estilo boçal e pouco consonante com a vida democrática.
Alberto João Jardim tem contado com a complacência dos vários Presidentes do Partido Social Democrata e até com Presidentes da República. Recorde-se a presença da anterior Presidente do PSD na Madeira e as suas afirmações que postulavam que aquele era um modelo de democracia. De resto, esta mesma senhora que acertou em algumas críticas que fez ao estado da governação socialista, espalhou-se ao comprido cada vez que utilizava a palavra "democracia".
Pedro Passos Coelho, agora que é primeiro-ministro, mostra-se pouco interessado em aparecer em comícios ao lado do inefável Alberto João Jardim. Faz bem, até porque o estilo adoptado pelo actual primeiro-ministro e pelo actual Governo nada tem que ver com a fantochada da Madeira. Já aqui frisei as minhas divergências ideológicas com o novo Governo e não me cansarei de o fazer, mas não posso deixar de elogiar a serenidade do primeiro-ministro e o até agora seu respeito pelo sistema democrático.

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