Avançar para o conteúdo principal

Plano B

Os Estados-membros da União Europeia, designadamente os países que compõem a zona Euro, já discutem a existência de um plano B, caso o Parlamento grego chumbe as medidas de austeridade - a contrapartida para receberem a última tranche do empréstimo. Hoje é o dia D. Caso não corra B, passa-se, segundo a UE, para o plano B.
A estratégia levada a cabo pela UE e pelo FMI está nitidamente a falhar. E começasse a questionar se essa estratégia atabalhoada não terá o seu grau de premeditação. Dito por outras palavras, é difícil acreditar-se em tanta ingenuidade da UE. Quanto ao FMI, os objectivos continuam a prender-se com o pagamento de empréstimos, designadamente à banca alemã e a outras que estão mais expostas, e a abertura dos vários sectores da economia dos países que dele se socorreram. Grandes oportunidades de negócios vão eclodir das dificuldades dos países; dificuldades essas que se agravaram com a atenção dos mercados e com a ineficácia europeia.
O Plano B tem como objectivo garantir a liquidez necessária caso a austeridade seja rejeitada pelo Parlamento grego. A Europa enquanto não perceber que está a fazer mal a si própria, através de exercícios de autofagia, encontrará sucessivos planos B que mais não são do que um adiamento do inadiável.
Por cá, todos, ou quase todos, adoptam esses mesmos exercícios de autofagia, a começar pelo actual Governo, um verdadeiro paladino da estratégia europeia.
O inefável Olli Rehn, Comissário Europeu dos Assuntos Económicos, já veio dizer que afinal nem sequer há um plano B para a Grécia. Se não aprovarem as medidas de austeridade, o país entra em bancarrota.

Comentários

Afonso disse…
Não é de todo ingenuidade nem acaso mas sim a teoria do caos e da ordem(do caos sairá a ordem?)no seu pior,ora os senhores da finança global e seus agentes burocratas na Europa parecem nunca sairem chamuscados das fogueiras do caos,e qualquer que seja a ordem posterior eles aparecem(os agentes pois alguns dos outros só os vemos em fotos do Bilderberg na net) sempre bem dispostos nas assembleias e nos templos!

Mensagens populares deste blogue

PSD: Ainda agora começou e parece que já está a acabar

Dois dias depois da realização do congresso do PSD as vozes da discórdia fazem-se ouvir, designadamente Luís Marques Mendes e José Miguel Júdice. E se o congresso foi particularmente negativo para o recém-eleito Rui Rio, o dia seguinte não está a ser melhor. Rio eleito para uma liderança de transição, mesmo que obviamente não admitida, não terá qualquer estado de graça, até porque há uma parte do partido que se sente excluído, sobretudo agora que já choraram o desaparecimento do pai Passos Coelho e que estão preparados para virar a página.  Por outro lado, Rio fez as piores escolhas possíveis, designadamente a vice-presidente, facto que terá provocado reacções negativas não só por parte dos apaniguados de Passos Coelho, mas de quase todo o partido. E as explicações estão longe de ser convincentes. As democracias vivem de pluralidade, sobretudo no que diz respeito às escolhas políticas. A fragilidade do PSD não é uma boa notícia, mas não deixa de ser uma consequência dir...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

A morte lenta de democracia

As democracias vão morrendo lentamente. Exemplos não faltam, desde os EUA, passando pelo Brasil. No caso americano cidades como Portland têm as ruas tomadas por forças militares, disfarçadas de polícia, que agem claramente à margem do Estado de Direito, uma espécie de braço armado do Presidente Trump. Agressões, sequestros, prisões sem respeito pelos mínimos que um Estado de Direito exige, são práticas reiteradas e que ameaçam estender-se a outras cidades americanas. Estas forças militares são mais um sinal de enfraquecimento da democracia americana. Recorde-se que o ainda Presidente ameaça constantemente não aceitar os resultados que saírem das próximas eleições, isto claro se perder.  No Brasil a história consegue ser ainda pior e mais boçal. A família Bolsonaro e as milícias fazem manchetes de jornais.  Em Portugal um partido como o "Chega" é apoiado por proeminentes empresários portugueses, como a revista Visão expõe na sua edição desta última sexta-feira. A democr...