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O voto

No próximo domingo os cidadãos vão escolher uma nova composição da Assembleia da República. Como todas as sondagens indicam e como não se trata propriamente de uma surpresa, já se percebeu de que forma é que será constituída a Assembleia da República, ou seja os mesmos do costume.
De facto as dúvidas ainda se prendem com que formará Governo, embora tudo indique que será o PSD, e com quem.
O sentido de voto em Portugal e em grande parte dos países ocidentais está manifestamente condicionado pela comunicação social, por muito que se finja que as pessoas são livres para escolher a verdade é que essa pretensa liberdade é condicionada pela informação e pela exposição que chega às pessoas. Por conseguinte, neste jogo distorcido, quem tem uma ampla exposição tem mais probabilidades de ser eleito, deixando pouco espaço para quem tem uma dimensão mais pequena e não conta com a atenção dos média. A excepção são pessoas como o candidato presidencial madeirense, José Manuel Coelho, que consegue atrair a atenção da comunicação social recorrendo a práticas pouco ortodoxas.
De igual modo, os partidos mais pequenos não contam com máquinas partidárias e com o dinheiro que os partidos do espectro do poder contam. Não há uma grande mobilização de militantes, não há autocarros cheios de pessoas que amiúde nem sabem ao que vão e, essencialmente, não há o aparato da comunicação social sempre à espera do espectáculo deplorável com que os principais partidos nos brindam.
O voto é por muitos interpretado como uma forma de escolha, mas também deve ser encarado como um meio de castigar quem pouco tem feito pelo país e pela democracia portuguesa. Infelizmente, não é isso que as sondagens nos dizem, nem será certamente isso que vai acontecer no próximo domingo. Esquece-se com demasiada frequência que as mudanças tão necessárias aos partidos não vêm do seu interior e não serão de sua iniciativa. Enquanto os cidadãos continuarem a compactuar com a actual situação, nada mudará.

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