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O novo Governo

Sempre que entra em funções um novo Governo, são criadas expectativas relativamente às pessoas que vão estar à frente dos destinos do país. Desta vez não foi diferente, embora se registe menos entusiasmo, em larga medida devido às condicionantes externas.
O novo Governo não difere do anterior, pelo menos num aspecto: tem um plano da Troika para cumprir, restando pouco mais a fazer. Embora o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, tenha afirmado que pretende ir mais longe. Todos agem como se cumprirem integralmente o memorando negociado com o FMI e com a UE tudo se resolverá. Aposta-se tudo numa hipotética solução que poderá muito bem não produzir outros resultados para além de austeridade, endividamento e recessão. É muito provável que esta aposta no memorando, sem a contemplação de outras soluções de recurso, seja infrutífera, tendo apenas como consequência o adiamento do inadiável.
O actual Governo sente-se como peixe na água. Tem um programa liberal, o da Troika, e tem o seu programa liberal. Há, portanto, uma convergência. O resultado dificilmente será benéfico para os cidadãos. O Governo anterior que tanto defendeu o Estado Social, acabou por dar início ao seu paulatino desmantelamento, este Governo vai acelerar o processo.
Quanto ao crescimento económico - essencial para que o país recupere -, o programa da Troika que degenera em recessão inviabiliza esse mesmo crescimento; já para não falar de outros constrangimentos inerentes à própria moeda única.

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