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Instabilidade na Grécia

A Grécia, país que deixou uma herança indelével para a democracia, vive tempos conturbados. Depois de anos de irresponsabilidade dos seus governantes e após a recusa de qualquer laivo de solidariedade por parte da Europa, designadamente por parte da Alemanha que tanto beneficiou dessa mesma solidariedade, o país vive um turbulência política e social.
A Europa mostra novamente as debilidades em matéria de consenso, adiando uma solução para o problema grego. No país, o retrocesso social leva muitos cidadãos às ruas para mostrar o seu descontentamento que não raras vezes degenera em violência. Um dos princípios da Europa - o princípio do bem-estar social cai por terra -, depois do princípio da solidariedade já ter caído.
Os problemas que a Grécia atravessa são problemas de toda a União Europeia e não me refiro apenas ao potencial contágio. Todos os países sairão prejudicados com as dificuldades que a Grécia atravessa. Sem soluções, a possibilidade deste país, à semelhança de outros, sair da Zona Euro é uma realidade, mas será uma realidade onerosa para o povo Grego e será igualmente uma machadada no projecto europeu.
Os cidadãos esses continuam meio adormecidos, acordam aqueles que já estão a sentir na pele a injustiça e o retrocesso do bem-estar social. Uma Europa que é construída à revelia dos cidadãos e em muitos casos contra os cidadãos acaba inevitavelmente por redundar num projecto falido.

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