sexta-feira, 24 de junho de 2011

Grécia parte III

A situação económica na Grécia continua a dominar a cimeira europeia, a primeira com a participação do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho. A Europa mostra-se disposta a ajudar a Grécia - tendo em conta o potencial dos efeitos de contágio -, mas continuando nos mesmos moldes de mais dinheiro em troca de novas medidas de austeridade. Ora aqui é que reside o problema: a austeridade e a ineficácia das medidas adoptadas pelo Governo grego com o beneplácito do FMI e da UE são vistas pelo povo grego, pelos partidos da oposição e até por membros do partido socialista do primeiro-ministro grego, George Papandreou, como sendo inaceitáveis.
A Europa que tanto tempo levou a reagir ao problema grego permitindo que este se agravasse e contagiasse outros países, tenta agora apagar mais este fogo em troca de mais medidas incendiárias. A convulsão social cresce e a possibilidade de novas medidas de austeridade que contemplam um incomensuravel programa de privatizações chumbarem no Parlamento grego é real.
Acusa-se a Grécia de irresponsabilidade e de incúria. Com efeito, essas acusações têm um fundo de verdade. A Grécia tem problemas, muitos dos quais provenientes de uma cultura de alguma permissividade. Porém, o actual governo socialista que substituiu o governo conservador que levou o país à beira da bancarrota tem cumprido as imposições europeias, mas confronta-se com a falência desse mesmo programa.
A Europa, com especial destaque para Portugal, espera que a crise grega seja atenuada. O efeito de contágio é real, como se pode perceber através do comportamento dos sacrossantos mercados.
Por cá, existe uma esperança geral de que o programa da Troika produza resultados. É bom ter esperança, mas também não seria má ideia contemplar a possibilidade desse programa falhar e elaborar-se um plano alternativo. A economia portuguesa não vai crescer, aliás, um pouco à semelhança do que aconteceu na última década (com crescimentos anódinos), a isso acresce a entrada nas contas das PPPs e das dívidas das empresas públicas contribuindo para um acentuado crescimento da dívida total do país e, finalmente, o empréstimo pedido terá de ser pago, com juros consideráveis. Será esta a solução? E se não for? Estamos preparados? O recém-eleito Governo até pode estar em estado de graça, mas a economia do pais está longe disso.
A petição para uma auditoria à dívida portuguesa é inquestionavelmente um passo no sentido certo. Os cidadãos têm todo o direito de saber que dívida é esta de que tanto se fala.

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