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Um bom acordo

A declaração de José Sócrates com o objectivo de desmistificar algumas das medidas acordada com a Troika foi uma jogada de mestre. O acordo apelidado de "bom acordo" é largamente baseado naquilo que seria o PEC IV. O anúncio do primeiro-ministro de que o 13º. e 14º. mês serão pagos, a inexistência de despedimentos na Administração Pública, a inexistência de cortes em salários e pensões (cortes nas pensões só a partir do 1.500 euros) será o suficiente para muitos respirarem de alívio.
Convenhamos que o acordo, embora ainda não se saiba tudo, é menos negativo do que aquilo que se estaria à espera. Talvez os fracassos na Grécia e na Irlanda terão tido o seu papel a desempenhar em todo este processo.
Apesar de se ter conseguido mais tempo para combater o défice, os problemas de fundo mantêm-se e agravar-se-ão nos próximos anos de recessão. Seja como for em política o passado é rapidamente esquecido e tenta-se não pensar excessivamente no futuro. Nestas circunstâncias, o PS reforça a sua posição, mostrando que o PEC IV tinha toda a validade. Quem sai a perder é o PSD que fica com a sua imagem associada a umas eleições que parecem fazer cada vez menos sentido. As responsabilidades pela falta de competitividade da economia portuguesa associada a um endividamento insustentável vão continuar a ser esquecidas.

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