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PS e PSD

Apesar da crise sem precedentes que estamos a atravessar, e a julgar pelas sondagens, PS e PSD continuam a fazer o seu caminho na democracia portuguesa, deixando pelo caminho um rasto de endividamento, ausência de crescimento económico e a destruição paulatina de um país.
A razão para os resultados das sondagens prender-se-á com a ausência de alternativas. Defendo antes a ideia que a razão se prende com a ausência de uma alternativa: a social-democracia, dada por muitos como moribunda e que nem PS, nem PSD são exemplos de partidos sociais-democratas. Olhando para o que resta dos partidos políticos, continua-se sem vislumbrar partidos que façam essa defesa.
Por outro lado, a sociedade civil portuguesa é exasperantemente anódina. Não havendo alternativas, a própria sociedade deveria criar essas alternativas. Não é o caso, embora existam partidos fora daqueles que têm assento parlamentar, que continuam a lutar pelas suas ideias e concorrem a eleições. Esse esforço é meritório, mas esbarra na relutância que os cidadãos sentem em mudar o seu voto fora das hipóteses PS e PSD. Mas nem nesses partidos de reduzida dimensão se pode encontrar a social-democracia.
Seja como for, a verdade é que PS e PSD são partidos cujas soluções estão consupurcadas por interesses e clientelas que nada têm que ver com os interesses dos cidadãos. A receita desastrosa que surge agora aos olhos de muitos não é apenas consequência de más políticas, é sobretudo o resultado de anos, décadas, de salvaguarda de interesses fora da esfera dos interesses dos cidadãos e do país. Interesses relacionados com o betão, interesses relacionados com a criação de empresas para tudo e para nada, interesse na alimentação de uma Administração Pública que serve antes de mais para alimentar clientelas partidárias, interesses relacionados com negócios com a banca e com outras empresas. Nada disto serviu o país, muito pelo contrário, pelo caminho nunca houve coragem para fazer o que era necessário, o objectivo destes dois partidos nunca foi esse, foi antes o da criação de uma espécie de casta de privilegiados, à custa do empobrecimento do país. E não será desta vez que o país acordará, talvez quando esta empréstimo da Troika se revelar insuficiente e quando a reestruturação da dívida for inevitável, com todos os custos inerentes, designadamente em matéria de financiamento, os cidadãos acordem deste longo pesadelo PS e PSD.

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