Avançar para o conteúdo principal

Memorando, mas só em inglês

O primeiro-ministro demissionário, o mesmo que para bem do país já se devia ter afastado da política, ficou exacerbado (para nosso espanto!) com a insistência da jornalista no debate com Jerónimo de Sousa sobre a inexistência do memorando de entendimento acessível em português. Para além da falta de preparação do primeiro-ministro demissionário que talvez pela sua actual condição demonstre amiúde não saber a quantas anda, é grave que um documento determinante para o futuro próximo do país não esteja acessível a todos os cidadãos, em língua portuguesa, claro está.
É bem verdade que não interessa discutir-se exaustivamente o documento, sobretudo por duas razões: por um lado, uma discussão aprofundada do documento implicaria que os principais intervenientes políticos - os que negociaram - conhecessem bem o documento, o que visivelmente não é o caso; por outro lado, em plena campanha, ou pré-campanha eleitoral, é incómodo estar-se a discutir mais austeridade, recessão, ausência de crescimento económico, dificuldades crescentes, e por aí fora.
Por conseguinte, e numa clara manifestação de desprezo pelos cidadãos (mais uma entre muitas), o memorando de entendimento assinado entre Governo e Troika não está acessível, em português e na íntegra. Andam para aí uns resumos de 15 páginas.
Nada disto terá implicações no dia 5 de Junho. PS, PSD provavelmente com a coadjuvação do CDS serão os partidos brilhantes que vão governar o país nos próximos anos. Consideração pelos cidadãos? Para quê? O masoquismo reina por estas bandas.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Direitos e referendo

CDS e Chega defendem a realização de um referendo para decidir a eutanásia, numa manobra táctica, estes partidos procuram, através da consulta directa, aquilo que, por constar nos programas de quase todos os partidos, acabará por ser uma realidade. O referendo a direitos, sobretudo quando existe uma maioria de partidos a defender uma determinada medida, só faz sentido se for olhada sob o prisma da táctica do desespero. Não admira pois que a própria Igreja, muito presa ao seu ideário medieval, seja ela própria apologista da ideia de um referendo. É que desta feita, e através de uma gestão eficaz do medo e da desinformação, pode ser que se chumbe aquilo que está na calha de vir a ser uma realidade. Para além das diferenças entre os vários partidos, a verdade é que parece existir terreno comum entre PS, BE, PSD (com dúvidas) PAN,IL e Joacine Katar Moreira sobre legislar sobre esta matéria. A ideia do referendo serve apenas a estratégia daqueles que, em minoria, apercebendo-se da su...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

O anacronismo do PCP

Domingos Lopes, destacado militante comunista, decidiu abandonar o partido e explicar o porquê desse abandono. As explicações deste militante vão na mesma linha de outros que se afastaram voluntariamente ou que foram convidados a sair e centram-se na aversão do partido ao diálogo, a dificuldade visível em lidar com a pluralidade de opinião, e na ortodoxia cega que este partido demonstra ter em relação ao que se passa no mundo. É por demais evidente que a saída do militante em questão não terá sido fruto do acaso, a pouco menos de duas semanas de um importante período eleitoral. As razões que estão subjacentes à saída de Domingos Lopes poderão não ser totalmente conhecidas, mas aquilo que é enunciado pelo ex-militante do PCP em matéria de visão do mundo e democracia interna do partido já é sobejamente conhecido. Aliás, as opiniões de dirigentes do PCP sobre regimes totalitários como o norte-coreano já não provocam espanto em ninguém. Dentro do partido há quem se reveja nototalitarismo ...