Avançar para o conteúdo principal

Democracia enfraquecida

Paradoxalmente, a democracia sairá enfraquecida das eleições que se aproximam. Sai enfraquecida pela ausência de entusiasmo que criou numa vasta franja da população que preferia ver discutidas ideias do que a constante troca de acusações de quem já nada tem para oferecer ao país. Sai enfraquecida porque a própria soberania do país é posta em causa com o entendimento entre os principais partidos e instituições europeias - o verdadeiro programa eleitoral é o memorando de entendimento. A democracia sai enfraquecida culpa dos principais partidos políticos que se mantêm herméticos, enclausurados numa redoma de interesses próprios e cegos às próprias sociedades.
Não são as repetidas imagens que as televisões passam de uma campanha eleitoral em que os líderes do PS e do PSD surgem rodeados de multidões de fervorosos adeptos, perdão, simpatizantes que nos dizem que estas eleições entusiasmam a generalidade dos portugueses, pelo contrário, os partidos precisam dessas pessoas para criar a ilusão que está tudo muito bem.
Não está tudo muito bem. A perda de soberania do país aliada a uma descrença crescente relativamente aos políticos mina a democracia. Os partidos políticos que alternam o poder entre si agem como se tudo estivesse bem e, infelizmente, muitos cidadãos insistem em dar votos de confiança a quem recusa a mudança, a quem insiste nos erros e agarra-se aos vícios. Embora, a democracia seja a regra da maioria e a maioria não pareça particularmente entusiasmada com estes partidos políticos, o certo é com maior ou menor dispersão de votos os partidos do costume são eleitos.
Para finalizar, importa sublinhar que a abstenção tem sido consideravelmente alta, o que é sintomático da tal descrença dos cidadãos relativamente à política. Todavia, a não participação na democracia nunca será solução para resolver os problemas que se têm vindo a instalar no nosso sistema democrático.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Fim do sigilo bancário

Tudo indica que o sigilo bancário vai ter um fim. O Partido Socialista e o Bloco de Esquerda chegaram a um entendimento sobre a matéria em causa - o Bloco de Esquerda faz a proposta e o PS dá a sua aprovação para o levantamento do sigilo bancário. A iniciativa é louvável e coaduna-se com aquilo que o Bloco de Esquerda tem vindo a propor com o objectivo de se agilizar os mecanismos para um combate eficaz ao crime económico e ao crime de evasão fiscal. Este entendimento entre o Bloco de Esquerda e o Partido Socialista também serve na perfeição os intentos do partido do Governo. Assim, o PS mostra a sua determinação no combate à corrupção e ao crime económico e, por outro lado, aproxima-se novamente do Bloco de Esquerda. Com efeito, a medida, apesar de ser tardia, é amplamente aplaudida e é vista como um passo certo no combate à corrupção, em particular quando a actualidade é fortemente marcada por suspeições e por casos de corrupção. De igual forma, as perspectivas do PS conseguir uma ma...

Mais uma indecência a somar-se a tantas outras

 O New York Times revelou (parte) o que Donald Trump havia escondido: o seu registo fiscal. E as revelações apenas surpreendem pelas quantias irrisórias de impostos que Trump pagou e os anos, longos anos, em que não pagou um dólar que fosse. Recorde-se que todos os presidentes americanos haviam revelado as suas declarações, apenas Trump tudo fizera para as manter sem segredo. Agora percebe-se porquê. Em 2016, ano da sua eleição, o ainda Presidente americano pagou 750 dólares em impostos, depois de declarar um manancial de prejuízos, estratégia adoptada nos tais dez anos, em quinze, em que nem sequer pagou impostos.  Ora, o homem que sempre se vangloriou do seu sucesso como empresário das duas, uma: ou não teve qualquer espécie de sucesso, apesar do estilo de vida luxuoso; ou simplesmente esta foi mais uma mentira indecente, ou um conjunto de mentiras indecentes. Seja como for, cai mais uma mancha na presidência de Donald Trump que, mesmo somando indecências atrás de indecência...