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As lições da Alemanha

Depois dos períodos negros da História recente em que a Alemanha foi a principal protagonista, este país liderado pelo inefável Angela Merkel não se coíbe de dar reiteradas lições aos países que integram a Zona Euro, designadamente os chamados periféricos. Agora a Sra. Merkel, num discurso para consumo interno e indigestão de todos, afirma que na moeda única não pode haver cidadãos que têm mais férias do que outros. Refere-se aos trabalhadores alemães que por lei têm direito a um mínimo de 20 dias de férias, período que compreensivelmente se estende para mais tempo. O mesmo se aplica à idade da reforma.
Ora, a Sra. Merkel pugna por uma uniformização destas matérias, mas esquece-se de advogar uma Europa mais unida, mais solidária e mais coesa. Quando algum Estado-membro sugere uma medida, por pequena que seja, que signifique mais aproximação entre os vários Estados-membros, em particular em matérias da Zona Euro, a chanceler alemã é a primeira a recusar. É curioso defender este uniformização e esquecer-se do resto.
As lições da chanceler alemã continuarão a ser profusas. Sente-se uma espécie de líder da Europa por estar à frente do mesmo país que só pagou uma dívida contraída em 1920 setenta anos depois, a líder do mesmo país que estava em recessão no final dos anos 90, consequência da baixa do consumo interno e conheceu uma recuperação estonteante graças às exportações para países da entretanto criada moeda única, países que na sua ingenuidade endividaram-se para comprar o que era alemão. Nessa altura, não se ouvia um líder alemão fazer as críticas que são tão comuns hoje.
O que a chanceler se esquece de dizer é que a Alemanha sairá consideravelmente prejudicada com todos os problemas do Euro. Embora, aquela personagem que faz de Presidente da Europa, o Sr. Rompuy tenha esclarecido que os países que estão em dificuldades apenas representam 6% do PIB europeu, o facto é que as fragilidades do Euro não podem ser exclusivamente imputadas aos países em dificuldades. A verdade é que a inexistência de um orçamento considerável, a ausência de uniformidade fiscal, as fracas competências do BCE e a incapacidade ou relutância em se continuar o projecto europeu de paz, prosperidade, bem estar social e solidariedade inviabiliza a Europa e acabará por trazer grandes dificuldades à própria Alemanha que quando acordar será sobressaltada.

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