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Ainda as ilusões

As críticas aos vários partidos políticos que têm assento parlamentar são recorrentes, mas a postura do ainda primeiro-ministro e a passividade e subserviência do PS são surreais. As ilusões continuam a ser o centro da retórica do primeiro-ministro. A julgar pelas suas intervenções, a sua governação foi extraordinária, garantindo um país com futuro. Ignora-se o facto do país estar na pior situação económico-financeira do último século.
Já aqui se referiu o peso que a crise internacional e a voracidade dos mercados financeiros tiveram no desfecho que conhecemos, mas seria pouco honesto não reconhecer que fomos atacados precisamente por estarmos numa situação fragilizada - situação essa que foi consideravelmente agravada pela a acção do Governo de José Sócrates. Défice, dívida e ausência de crescimento económico e, ainda mais grave, ausência de perspectivas desse mesmo crescimento económico foram determinantes. Há responsáveis e José Sócrates é um indubitavelmente o maior responsável.
Contrariamente ao que se tem repetido nos últimos dias, o maior erro - um entre muitos - da governação socialista foi ter demorado tanto tempo a perceber a crise internacional e os seus impactos, não tanto a questão da "ajuda" externa, aquilo que se percebe que não está a surtir efeitos na Grécia. Se o Governo tivesse percebido ou quisesse reconhecer a gravidade da crise que teve o seu zénite em 2008 teriam sido tomado medidas, designadamente as contrárias às que foram tomadas. Reconheço a coragem de se querer investir na altura em questão, mas os luxos da Administração Pública, as negociatas entre poder político e poder económico e a cegueira eleitoral foram erros crassos que o PS ainda hoje parece não reconhecer nem sequer querer inverter.
O mais grave é precisamente esta ilusão que se pretende passar aos cidadãos. Ora num país onde grassa a ignorância e a indiferença, essas ilusões passam por factos. Também tem sido esse o nosso problema.
Preste-se atenção ao destino dos Gregos que pode muito bem ser o nosso.

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