quarta-feira, 6 de abril de 2011

Uma desilusão chamada Europa

Todos nós já conhecemos uma desilusão chamada Portugal, país cujas soluções políticas mostram-se esgotadas a cada dia que passa. Porém, há uma outra desilusão chamada Europa, mais concretamente União Europeia dominada pelo Eixo Franco-Alemão, conspurcada pelo mesmo ideário que deu origem à crise. A União Europeia transformou-se numa mera união económica e monetária. Palavras como solidariedade, paz e bem-estar social - que estiveram na origem da própria UE - são palavras vazias de sentido.
Portugal, apesar das suas escolhas amiúde desastrosas, tem duas opções, ambas que nos entregam aos lobos: ou aguentar o paroxismo das últimas semanas até chegar ao ponto de não se conseguir financiar ou recorrer ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira e ao Fundo Monetário Internacional e aguentar o empobrecimento daí decorrente, com a agravante de não ser garantido que se consiga resolver os problemas do país.
A Zona Euro está desprovida de mecanismos que permitam fazer face ao ataque especulativo de mercados financeiros e de agências de rating que, apesar dos seus sucessivos erros, continuam a ditar o destino de empresas e países. O Banco Central Europeu não está vocacionado para resolver problemas de financiamento, como outros bancos centrais estão e a inexistência de um orçamento europeu e de harmonização de políticas, designadamente fiscais são problemas que comprometem o euro.
A Europa, designadamente a União Europeia, é uma profunda desilusão por ter abandonado os seus princípios basilares e por ser incapaz de resolver os problemas internos.
A Alemanha e a França esquecem-se ou preferem ignorar que os problemas de alguns países europeus são os problemas de toda a Zona Euro e que as medidas de austeridade para consolidar as contas públicas podem não resolver de todo a crise da dívida soberana. Afinal, será com recessões que são o fruto da austeridade draconiana imposta por Bruxelas (Alemanha e França) que os países terão dinheiro para pagar as suas dividas? A tecnocracia neoliberal da Europa acha que sim.

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