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Um país surreal II

Não é possível fugir à ideia de que vivemos num país surreal. A passividade dos portugueses associada ao total esgotamento dos partidos políticos com assento parlamentar deixam um rasto de desespero naqueles que ainda não sucumbiram aos encantos da resignação.
A preocupação está lá: mexidas nos salários, redução ou eliminação de subsídios, aumento de desemprego, retrocesso (ainda maior) no bem-estar social. Mas não há reacção. Não há hoje, como não tem havido nas últimas décadas.
É certo que surgem movimentos, como o Movimento 12 de Março ou manifestos como o Manifesto 74/74. Mas a dificuldade que a sociedade portuguesa parece ter em reconhecer que há problemas, encará-los e resolvê-los é exasperante. De igual modo, ouvem-se queixumes e lamentos, mas na hora H, repetem-se os erros do passado.
O país é, de facto, surreal. Pode ser que este momento difícil que estamos a viver,sirva para revigorar um povo que se recusa a sair do seu estado de apatia. É claro que existem honrosas excepções, algumas delas até podem dar o mote para se proceder a uma mudança, mas será difícil concretizar essas mudanças, enquanto os cidadãos não mudarem eles próprios. Enquanto não percebemos que precisamos de mudar, de pensar, de reflectir, de encarar os problemas, de nos mobilizar, de pensar no colectivo e até de encontrar um desígnio nacional, as nossas dificuldades continuarão a recrudescer. Nada mudará, sem nós mudarmos também.

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