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A catástrofe

Mário Soares pediu a intervenção de Cavaco Silva para evitar uma crise política que segundo as palavras do ex-Presidente da República seria catastrófica. Não sei se uma crise política nesta altura será catastrófica, mas parece consensual que terá consequências imprevisíveis.
Se olharmos para a questão apenas do ponto de vista emocional, a possibilidade do Governo cair é apelativa; mas se olharmos para a questão do ponto de vista racional, rapidamente chegamos à conclusão de que a queda do Governo e a convocação de eleições legislativa apenas tem um efeito visível que é o de pôr tanta gente a salivar pela possibilidade de chegar ao poder. Quanto às restantes consequências são uma incógnita e potencialmente nefastas.
Todavia, a forma como o Governo geriu o anúncio e negociação das novas medidas de austeridade é criticável, mas servirá também como forma de nova vitimização do primeiro-ministro que mostra-se disposto a negociar contra o chumbo anunciado dos restantes partidos. O primeiro-ministro quer surgir aos olhos dos portugueses como alguém que tudo fez para resolver os problemas do país sem ajuda externa (?) mas que não conseguiu porque os partidos da oposição, designadamente o maior, não deixou. Aquilo que parecia um acto amador, acaba por revelar-se uma jogada estratégica que poderá produzir efeitos positivos para o primeiro-ministro.
O país é uma catástrofe, os actuais intervenientes políticos são uma catástrofe, as medidas de extrema austeridade são uma catástrofe para quem ainda escolhe este pedaço de terra para viver. A queda do Governo será mais uma catástrofe? Do meu ponto de vista, seria preferível que o Governo não caísse já, mas também reconheço que é apenas uma questão de tempo até cair e que o paroxismo provocado pelo actual Executivo tem-se tornado insuportável.

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