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Novamente o Irão

Um ano depois das manifestações por altura do período eleitoral no Irão que culminou com a vitória de Ahmadinejad, o povo iraniano volta a manifestar-se contra o regime. Estas manifestações vão certamente buscar inspiração ao que se passou na Tunísia e no Egipto.
Curiosamente, o regime iraniano impulsionou o povo egípcio para empreender a revolução - uma revolução islâmica - e agora percebem que esse seu apoio a uma revolução pode revelar-se contraproducente.
O regime teocrático supressor de liberdades continua a contar com o apoio da parte da população mais envelhecida que vive fora dos centros urbanos, mas não conta com o apoio dos jovens, o que é preocupante para o regime quando o país é constituído, em larga medida, precisamente por jovens.
No ano passado, o regime tremeu, não soçobrou. Hoje, a turbulência que afecta o Médio Oriente e o Magrebe servem de inspiração ao mundo árabe e não só, como se vê agora pelo Irão. Essa inspiração, baseada nas conquistas do povo tunisino e do povo egípcio, pode se decisiva para verdadeiras mudanças naquelas regiões.
Acrescente-se ainda que qualquer mudança no Irão dificilmente resvalará para um regime pior do que o que está instalado no país desde a revolução islâmica.

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