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Moção de censura

A moção de censura com vista a derrubar o Governo volta a estar em cima da mesa depois das declarações do secretário-geral do PCP. O maior partido da oposição aborda o assunto cautelosamente. Por outro lado, os cidadãos falam como se tivessem vontade de aprovar uma moção de censura contra grande parte da classe política, mas agem dando votos de confiança (designadamente através de eleições) aos políticos do costume.
Com efeito, torna-se impossível não reconhecer que o actual Executivo apresenta muito poucas condições para continuar. Os problemas económicos do país agravam-se de dia para dia; a vida dos cidadãos conhece retrocessos inauditos; as reformas estruturais foram metidas na gaveta (se é que alguma vez saíram de lá) por tempo indeterminado.
Uma eventual moção de censura poderá até contar com a compreensão dos cidadãos. Todavia, o que se seguirá a essa moção de censura bem sucedida é mais uma vez o obscurantismo de uma classe política avessa ao diálogo, à discussão de ideias, agarrada aos vícios do costume que degeneram na existência de uma sociedade cada vez mais desigual. Não existe maior paroxismo do que viver num país em que se crítica tudo até à exaustão, mas em que se insiste no imobilismo e na manutenção do status quo.

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