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Qualidade dos candidatos

Da campanha para as eleições presidenciais já é possível retirar a seguinte ilação: a qualidade dos intervenientes deixa muito a desejar. A campanha por tudo menos pela discussão dos problemas do país. Mesmo levando em consideração que os poderes do Presidente não são de índole executiva, seria profícuo para os eleitores assistir a uma discussão mais centrada nos problemas do país.
Não é isso que acontece. Note-se bem que a campanha daqueles que são considerados os dois candidatos principais - Cavaco Silva e Manuel Alegre - tem sido caracterizada por uma tibieza confrangedora. Cavaco Silva - o tal que procura não se aproximar da imagem de político - tem na sua candidatura pessoas envolvidas no grave problema do BPN, e quanto aos problemas do país, o candidato fala da sua experiência, como se essa sua tal experiência fosse indissociável do estado do país. Manuel Alegre, comprometido com o Bloco de Esquerda e, simultaneamente com o Governo, parece confuso. Está numa posição difícil: tem o apoio do partido do Governo, o que condiciona o seu discurso.
Os restantes candidatos têm feito o possível, tendo em conta a ideia que se instalou e que postula que as suas candidaturas são de segunda linha. Quando os cidadãos insistem no erro, não há campanha eleitoral que faça milagres.

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