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Democracia e igualdade

Em tempos de crise, escasseiam as oportunidades para se discutir a importância da democracia e da igualdade. A defesa de uma sociedade livre e justa passa a ser relegada para segundo plano e é a própria consolidação democrática que é posta em causa. O anátema da igualdade prolifera e não raras vezes defende-se o indefensável.
O pior exemplo é-nos dado pelas pseudo-elites, muito em particular no contexto da política. A Justiça pouco faz para salvaguardar a ideia de igualdade. Poucos terão dúvidas que existem dois tipos de cidadãos, uns mais privilegiados que outros. Nesta matéria, como noutras, a classe política é a primeira a dar o mau exemplo, como se vê tanto ao nível executivo como até ao nível presidencial.
Se se insistir em passar a ideia de que de facto existem dois tipos de cidadãos, será a própria democracia que será esvaziada de sentido. E se a classe política já faz tão pouco pela credibilização das instituições democráticas, o que dizer do conceito de igualdade dos cidadãos. É motivo de chacota.
Ainda assim, o povo soberano continua a mostrar relutância em dar um voto de confiança a quem ainda não se mostrou conspurcado. As próximas eleições serão um bom exemplo disso mesmo. Não se peçam milagres na terra da obtusidade.

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