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A chantagem

Cavaco Silva, Presidente da República e candidato presidencial, recorreu a uma forma de chantagem para conseguir a reeleição à primeira volta. Segundo o candidato, se existir uma segunda volta, os juros da dívida pública acabarão por subir e o país não suportará uma segunda volta. Ora, se isto não é uma forma de chantagem, não sabemos o que será. Na verdade, este tipo de jogo político não é inédito e outros candidatos terão recorrido à mesma estratégia. Todavia, colocar-se a hipótese do país não aguentar uma segunda volta - que faz parte das regras democrática - merece ser discutido.
De igual forma, Cavaco Silva vem novamente mostrar a sua postura de total subserviência aos famigerados mercados. Chegámos ao ponto de colocar os eleitores entre a espada e a parede, dizendo-lhe que se os mercados não gostam de alguma regras basilares da democracia é melhor aceitarmos. Já são os mercados a ditar o que os eleitores devem ou não fazer.
De resto, é evidente que a democracia é esvaziada de sentido a partir do momento em que o povo perder a sua soberania para outras entidades, no caso concreto, os mercados. Mas ouvir um ainda Presidente da República e candidato à reeleição sublinhar o facto, é doloroso para os cidadãos e um sinal de que o Sr, em questão está longe de ser o candidato ideal. Infelizmente, a maior parte dos cidadãos, a julgar pelas dúbias sondagens, não a vê a questão da mesma forma. Perde a democracia, perdemos nós. E sublinhe-se que apesar de já termos perdido muito, ainda podemos perder mais.

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