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Campanha eleitoral II

A campanha eleitoral para as eleições presidenciais continua a ser marcada pelo caso BPN a que agora se junta a história do candidato Manuel Alegre e da publicidade para o BPP. Se a campanha já revelava uma tibieza indissociável dos próprios intervenientes, tudo parece piorar a cada dia que passa. Já se percebeu que Cavaco Silva não se sente confortável com o caso BPN, tanto mais é assim que o candidato preferiu criticar a actual administração, deixando de lado os seus companheiros, verdadeiros responsáveis pela falcatrua que tanto dinheiro custa aos contribuintes.
Mas também é perceptível que o candidato Manuel Alegre ainda não encontrou o seu rumo para a campanha. A sua relação com Bloco de Esquerda e Partido Socialista não é fácil de gerir, e o seu apoio do PS - partido do Governo - traz dificuldades acrescidas. Com efeito, a insistência no caso BPN pode revelar-se contraproducente para Manuel Alegre, como foi visível durante o dia de ontem quando o candidato mostrou algumas hesitações e contradições relativamente ao pagamento da dita publicidade para o BPP.
De um modo geral, lamenta-se a ausência de uma discussão profícua de ideias, o que, diga-se em abono da verdade, beneficia o candidato Cavaco Silva. Com esta campanha saem todos a perder: os candidatos, em particular Cavaco Silva e Manuel Alegre, que revelam uma inexorável ausência de ideias para o país, mesmo tendo em consideração as limitações do cargo; os cidadãos que têm que escolher entre candidatos desprovidos de capacidade para o cargo; e a própria democracia cada vez mais esquecida.

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