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Transparência e liberdades

A divulgação de mais de 250 000 documentos do Departamento de Estado norte-americano por parte da WikiLeaks está a causar sérios problemas à diplomacia dos Estados Unidos. O responsável pelo site alega que é em nome da transparência que esses documentos secretos são divulgados. Todavia, a liberdade de divulgar os ditos documentos pode pôr em causa vidas humanas e, nesse sentido, deveria ser ponderada com outro cuidado. Somos apologistas da liberdade de expressão, de opinião, de imprensa, mas não a qualquer custo. E embora já se tenha tomado posições difíceis na defesa da liberdade de expressão, o que está agora em causa, para além de ser pouco lícito, não vale o prejuízo causado.
Não se trata de defender a pouca sobriedade da diplomacia americana, mas antes de se questionar se valerá a pena pôr em causa relações entre países e, em última análise, colocar em causa vidas humanas. Esta é uma questão sobre a qual valerá a pena reflectir.
As revelações feitas pelo site em questão e divulgadas pela comunicação social causaram sérios constrangimentos à diplomacia americana. Ao mal-estar acresce a ideia de que o que é suposto ser secreto, pelos vistos não é tão secreto assim.
À Administração Obama resta encetar esforços no sentido de conter os estragos causados pelas revelações e repensar muito do que supostamente deveria ser secreto.
Neste blogue também se é apologista da transparência, mas não de qualquer forma e a qualquer custo, mesmo correndo o risco de parecermos pouco coerentes.

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