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Revolta socialista

O líder da bancada parlamentar, Francisco Assis, ameaçou ontem demitir-se. Em causa estava a votação de um projecto de lei do PCP sobre a taxação de dividendos em 2010. As divisões internas intensificam-se e o líder da bancada parlamentar optou pela dramatização - parece que tem aprendido muito com o primeiro-ministro, para quem a dramatização é tão cara.
Numa altura crítica para o país, assiste-se a mais um exemplo da qualidade, ou falta dela, dos representantes políticos eleitos. No meio da discórdia, resolve-se tudo com o recurso a ameaças. A degradação da imagem da classe político representa um verdadeiro paroxismo para o país. No meio desta barafunda, a reeleição do Presidente da República parece um facto consumado e o mais do que provável próximo primeiro-ministro é alguém que considera que o Estado Social é uma questão de somenos, isto quando não considera mesmo que se trata de um óbice.
A revolta socialista é paradigmática de uma classe política refém de interesses político-partidários, responsável pelo actual estado em que o país se encontra. A maioria daqueles que votam vão escolher novamente a mesma receita - com pequenas diferenças, quase imperceptíveis. O país, com uma sociedade civil débil, não está disposto a mudar o actual estado de coisas. Deste modo, apenas se agravam os problemas e se protelam as soluções.

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