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E depois do OE?

Com o acordo sobre o Orçamento de Estado (OE) entre PS e PSD chega agora o recrudescimento das dificuldades. Mesmo com as ligeiras alterações que o PSD conseguiu negociar, não restam dúvidas sobre as dificuldades que se aproximam. Essas dificuldades não serão apenas consequência dos sacrifícios pedidos aos cidadãos, mas serão porventura consequência de um mais do que provável aumento do desemprego e agravamento da precariedade no emprego. O desânimo cresce, em particular quando se antevêem dificuldades nos próximos anos.
Sem crescimento económico, torna-se difícil perceber como é que a situação do país pode melhorar. Mas as condições para que esse crescimento económico venha a ser uma realidade não parece fazerem parte dos planos dos dois principais partidos políticos. Preferem olhar exclusivamente para um Orçamento de Estado alheio ao crescimento da economia, um OE que vai criar sérios constrangimentos a esse crescimento económico.
Assim, resta a apatia que assola os cidadãos, desmoralizados com as injustiças sociais e com a perspectiva de um aumento de dificuldades que se traduzirá num retrocesso do bem-estar social nos anos que se aproximam. Segundo uma sondagem, muitos alegam que não irão aderir à greve do próximo dia 24 deste mês. O dinheiro que perdem, numa altura em que o mesmo rareia, é uma das razões apontadas. Outra prende-se com a dificuldade de perceber o porquê de uma Greve quando o Orçamento de Estado já foi acordado entre os dois principais partidos. Quanto ao futuro, nada a dizer. Fica-se com a ideia de que o futuro não existe. A crise, os mercados, os juros tudo justificam e num contexto de apatia geral, esquece-se rapidamente o passado, tenta-se sobreviver no presente sem pensar muito no futuro. Mas é precisamente o futuro que está em causa, em particular quando a crise voltar a exigir mais dos Portugueses, a exigir o pouco que ainda têm.

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