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Centenário da República

Comemora-se o centenário da República numa altura em que são pedidos novos sacrifícios aos Portugueses. Depois de dois planos insuficientes, agora é a vez de novos sacrifícios, estes ainda mais dolorosos. A República insere-se desde o 25 de Abril num contexto de democracia, depois de uma 1ª. República atribulada e de várias décadas de um regime pouco amigo das liberdades. Hoje, volvidos 36 anos, a República mostra-se doente e a própria democracia fragilizada.
Não será por acaso que as comemorações dos 100 anos da República não despertam qualquer entusiasmo por parte dos cidadãos. Por um lado, o entusiasmo não abunda num país em que reina a inércia e o desinteresse - o tal país quase desprovido de uma sociedade civil -; por outro lado, não existem muitas razões para comemorações: os cidadãos não vislumbram um futuro e o presente está recheado de dificuldades.
Embora o Presidente da República seja o político cuja imagem está menos degradada, a fé nas instituições democráticas sofre abalos constantes. Nestas circunstâncias, as comemorações do centenário da República pouco ou nada significam para a maior parte dos Portugueses, é apenas mais um feriado.
Não deixa contudo de ser irónico que precisamente na altura em que a República comemora os seu centenário, o estado do país e a conduta dos seus intervenientes políticos deixem tanto a desejar.

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