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Viver com o FMI à porta

Nos últimos dias ganha força a ideia de que o Fundo Monetário Internacional pode regressar a Portugal, consequência do aumento constante da despesa, da dificuldade crescente de financiamento no exterior e da tibieza da redução do défice.
Com efeito, começamos a ter que viver com a ameaça de uma intervenção externa para a resolução dos nossos problemas económicos. Mas viver com o FMI à porta significa que estamos a atingir uma fase em que reconhecemos que os problemas são demasiado graves e que não temos capacidade para os resolver.
É consensual que o país gasta o que não tem, vivendo numa espécie de ilusão que se perpetua ao longo de décadas. As medidas do Governo para consolidar as contas públicas não passam agora, como de resto nunca passaram, pela adopção de um modelo que impulsionasse o crescimento económico, mantendo forte a função social do Estado. Alimenta-se um Estado despesista, burocrático, intoxicado pela mania das grandezas e onde reina a promiscuidade entre poder político e poder económico.
Viver com o FMI à porta não é fácil. As suas receitas incidem invariavelmente sobre cortes de salários e apoios sociais - o verdadeiro desperdício, esse, continua a existir.

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