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Sem saída

A última semana foi marcada pelo regresso de férias dos dois principais partidos políticos e pelos discursos de Pedro Passos Coelho e de José Sócrates. Nestas últimas semanas os portugueses foram relembrados da tibieza das soluções políticas que quer o PS que o PSD apresentam. Pedro Passos Coelho afirma que não viabilizará um Orçamento de Estado que contemple novas formas de aumento de impostos e que o Governo tem que cortar na despesa. Até aí parece-me que a premissa chega a ser óbvia, o problema apresenta-se na forma como cortar a despesa do Estado. O líder do PSD fala numa deturpação das ideias contidas no ante-projecto de revisão constitucional que tem funcionado como arma política. Na verdade, o anteprojecto de revisão constitucional incluía uma subversão de algumas das funções do Estado e o líder do PSD nunca escondeu que a flexibilização das leis laborais são consideradas por si como sendo determinantes para um aumento da competitividade da economia nacional.
Por outro lado, José Sócrates surge mais forte graças, em larga medida, às trapalhadas do PSD. Continua a não ter ideias, dando mostras de ser uma solução esgotada. Ataca o PSD, ocultando que muitas das soluções apresentadas nestes últimos anos são em tudo similares às do PSD e outras revelam tão só uma incapacidade gritante de resolver problemas prementes do país.
Nenhum dos dois partidos apresenta soluções políticas viáveis. Com efeito, esta é, por enquanto, uma situação sem saída, pelo menos durante mais alguns meses. Entretanto, os cidadãos vão sendo prendados com discursos vazios de ideias que mais não são do que demonstrações de incapacidade e puerilidade. Os problemas esses agravam-se, a par das condições de vida de tantos cidadãos.

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