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A revelação

O anteprojecto de revisão constitucional do PSD deu a revelar aos cidadãos o que é que este partido quer para o país. Aparentemente foi uma revelação que inquietou muitos Portugueses. Percebeu-se que o Estado Social não é prioridade para o partido liderado por Pedro Passos Coelho e que a protecção dos trabalhadores é, aparentemente, uma das causas do desemprego em Portugal. Mesmo que o PSD reveja a questão da "razão atendível" e nos garanta que quer proteger os trabalhadores, tudo indica que não se trata de um defesa dos trabalhadores e do Estado Social. O PS, por sua vez, indica que não irá subscrever as propostas que alteram os princípios do Estado Social.
A revelação do PSD mostra qual o modelo a seguir. Um modelo que força o emagrecimento do Estado, não nas despesas triviais, mas no essencial do Estado Social; um modelo que mostra uma fé cega nos privados; um modelo que descaracteriza e subverte uma das maiores conquistas da democracia portuguesa - o Estado Social. O caminho a fazer foi revelado e mérito para o PSD que não se coíbe de dizer ao que vem.
Até ao momento o PSD pouco mostrou ao país, excepção feita aos esporádicos acordos com o Governo e agora este projecto de revisão constitucional que mostra um ruptura com o ideário - já por inerência esboroado - do partido. Ainda não se percebeu o que o PSD pensa dos problemas da Justiça, da Educação, que propostas tem para aumentar o investimento e combater o desemprego, propostas para além daquelas que pressupõem um aumento da precariedade laboral.
Depois da revelação cabe aos cidadãos decidirem se é este modelo que querem para o país; se querem passar do Estado todo-poderoso para um Estado minimalista.

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