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Abandono escolar

A formação e qualificação dos recursos humanos é indissociável do desenvolvimento dos países. Aliás basta olhar para os países mais desenvolvidos e verificar que estes apostaram na qualificação dos recursos humanos. Deste ponto de vista, não é de estranhar que o Governo português ambicione aumentar a qualificação dos seus recursos. Segundo o ministério da Educação o objectivo é reduzir para metade até 2015 o abandono escolar que em Portugal continua a ser profuso. A ambição é profícua, a forma de chegar a esse objectivo é que deixa algumas dúvidas.

O Governo de José Sócrates seguiu a linha de governos anteriores, acabando por ir mais longe, tendo o desprezo pela exigência como política central - invariavelmente privilegiou-se a quantidade em detrimento da qualidade. É neste contexto que a permissividade e o facilitismo se instalaram nas escolas. Paralelamente, o Governo criou programas para debelar o grave problema da falta de qualificações dos adultos através, por exemplo, das famigeradas Novas Oportunidades. A ideia é conseguir rapidamente qualificar mão-de-obra com o natural prejuízo para a qualidade dessa qualificação.


De um modo geral, o Governo anuncia metas ambiciosas, mas escamoteia o caminho para chegar a essas metas. Com efeito, tenho sérias dúvidas que o modelo seguido pelo actual Executivo, caracterizado por uma inexorável falta de exigência, rigor e responsabilidade, venha a contribuir para o desenvolvimento do pais; fica-se antes com a sensação de que os efeitos serão precisamente contrários àquilo que é convenientemente apregoado.


De facto, há formas de se combater o abandono escolar que não devem passar pelo facilitismo: o alargamento da oferta de cursos profissionais (que o Governo tem vindo a concretizar e bem); a orientação vocacional como instrumento ao serviço dos alunos e das famílias; o apoio social a famílias carenciadas, ao mesmo que se exija dessas famílias mínimos de responsabilidade e respeito, são algumas forma de se combater o abandono escolar. Todavia, há factores de difícil resolução que contribuem para esse abandono: a irresponsabilidade das famílias, muitas delas debilmente formadas, que olham para a escola e para o apoio social como uma obrigação do Estado, apenas como uma obrigação do Estado - uma espécie de estrada de sentido único -, e uma sociedade em crise, em permanente auto-comiseração, alheia ao mundo, fechada sobre si própria e culturalmente pobre. Quanto a isto, nem este nem qualquer outro Governo tem uma resposta eficaz para dar. Resta-nos continuar a apostar numa escola pública de qualidade que continue a proporcionar um instrumento de excelência de ascensão social, ao mesmo tempo que contribua para a formação de cidadãos plenos - só deste modo poderemos caminhar no sentido do desenvolvimento e do progresso.

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