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Mais flexibilidade laboral

Depois das afirmações contraditórias do comissário europeu da Economia sobre a flexibilidade das leis laborais, o Governo mostrou que os discursos no seu seio raras vezes são convergentes e o PSD sublinha novamente a necessidade de se flexibilizar a legislação laboral.É curioso assistir a esta discussão num país em que a precariedade do trabalho é profusa, num país que, não tendo muito para oferecer aos seus cidadãos, vê os mais jovens partir novamente para outras paragens.De resto, quem faz a apologia da flexibilização das leis laborais esquece invariavelmente as razões que subjazem à nossa fraca produtividade e à escassa competitividade da economia portuguesa. Esquecem que poucos investidores estarão interessados em apostar onde a Justiça é morosa e ineficaz, onde prolifera a burocracia e onde o Estado abdica das suas funções de supervisão e regulação para dar lugar à omnipotência própria de outros tempos e de outros regimes.Paralelamente, quando se fala na necessidade de um aumento de produtividade, seria igualmente profícuo não esquecer que a falta de visão estratégica, a fraca qualificação, a má gestão das empresas, a ausência de modernização, fracas condições de trabalho e, amiúde, o tratamento pouco adequado dado aos trabalhadores são elementos centrais à nossa baixa produtividade.Em suma, os problemas do país não se resolvem com mais flexibilidade laboral enquanto se continua a ignorar os verdadeiros óbices ao nosso desenvolvimento. E seria porventura mais interessante que se deixasse de apostar em medidas pontuais e se fizessem as reformas necessárias. Infelizmente, é mais fácil continuar com subterfúgios do que empreender mudanças estruturais.

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