Avançar para o conteúdo principal

Entre a espada e a parede

Em Portugal, assim como um pouco por toda a Europa, os cidadãos vivem entre a espada e a parede, num beco sem saída, numa tentativa de sobreviver a tempos difíceis, contando cada vez menos com lideranças políticas dignas desse nome e com ideologias diluídas ao longo do tempo.
A política afunilou-se naqueles que continuam a pugnar por modelos económico-sociais falidos, adoptando um discurso de esquerda que, embora tocando em aspectos essenciais de injustiças gritantes, acabam por fornecer uma alternativa que mais não é do que a repetição de erros do passado; e noutros que, numa tentativa de se adaptarem ao modelo em que vivemos, acabam por ser engolidos pela sua voracidade, desprezando os seus cidadãos e aniquilando paulatinamente as próprias democracias. É nisto que se transformou a direita, o centro-direita e até o centro-esquerda.
Os cidadãos vêem as suas escolhas limitadas a duas hipóteses políticas esgotadas; os sindicatos perdem força, por razões que se prendem com a sua ortodoxia ultrapassada e consequente afastamento dos trabalhadores; a qualidade dos políticos não merece sequer comentários.
É com este cenário que as nossas vidas se vão afundando nas medidas de austeridade, em mais uma tentativa de sobreviver não perdendo a dignidade. A serenidade do povo vai permitindo que nada façamos para alterar este cenário, pelo contrário, adoptamos uma postura de passividade e de resignação que resulta num agravamento da nossa situação já por si periclitante. Foi essa postura de passividade e de resignação, envolta num constante medo do amanhã, que nos levou aos problemas que hoje voltamos a enfrentar.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Fim do sigilo bancário

Tudo indica que o sigilo bancário vai ter um fim. O Partido Socialista e o Bloco de Esquerda chegaram a um entendimento sobre a matéria em causa - o Bloco de Esquerda faz a proposta e o PS dá a sua aprovação para o levantamento do sigilo bancário. A iniciativa é louvável e coaduna-se com aquilo que o Bloco de Esquerda tem vindo a propor com o objectivo de se agilizar os mecanismos para um combate eficaz ao crime económico e ao crime de evasão fiscal. Este entendimento entre o Bloco de Esquerda e o Partido Socialista também serve na perfeição os intentos do partido do Governo. Assim, o PS mostra a sua determinação no combate à corrupção e ao crime económico e, por outro lado, aproxima-se novamente do Bloco de Esquerda. Com efeito, a medida, apesar de ser tardia, é amplamente aplaudida e é vista como um passo certo no combate à corrupção, em particular quando a actualidade é fortemente marcada por suspeições e por casos de corrupção. De igual forma, as perspectivas do PS conseguir uma ma...

Mais uma indecência a somar-se a tantas outras

 O New York Times revelou (parte) o que Donald Trump havia escondido: o seu registo fiscal. E as revelações apenas surpreendem pelas quantias irrisórias de impostos que Trump pagou e os anos, longos anos, em que não pagou um dólar que fosse. Recorde-se que todos os presidentes americanos haviam revelado as suas declarações, apenas Trump tudo fizera para as manter sem segredo. Agora percebe-se porquê. Em 2016, ano da sua eleição, o ainda Presidente americano pagou 750 dólares em impostos, depois de declarar um manancial de prejuízos, estratégia adoptada nos tais dez anos, em quinze, em que nem sequer pagou impostos.  Ora, o homem que sempre se vangloriou do seu sucesso como empresário das duas, uma: ou não teve qualquer espécie de sucesso, apesar do estilo de vida luxuoso; ou simplesmente esta foi mais uma mentira indecente, ou um conjunto de mentiras indecentes. Seja como for, cai mais uma mancha na presidência de Donald Trump que, mesmo somando indecências atrás de indecência...