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Acto irreflectido

O deputado do PS, Ricardo Rodrigues, considerou que a sua apropriação dos gravadores dos jornalistas da revista Sábado terá sido um acto irreflectido. Os seus colegas de partido que o receberam para uma reunião com aplausos e palavras de apoio, não se coibiram de tentar desculpabilizar os actos do deputado.
Há duas questões que merecem a nossa atenção. A primeira prende-se com a displicência com que se olha para os jornalistas e para o jornalismo em Portugal. Em situações mais graves, verifica-se que a liberdade de imprensa e outras liberdades fundamentais nem sempre são olhadas com a importância que se exige em democracia. Por outro lado, já são inúmeras as situações em que se verifica o desrespeito por liberdades fundamentais sem que daí sejam retiradas consequências. Desta vez, tratou-se de um acto irreflectido que conta com a complacência de colegas e de um país que tarda em acordar.
Em bom rigor, nada disto nos deve surpreender. A questão é remetida para o campo da Justiça, mas não existem consequências políticas. Repito: nada disto nos deve surpreender, vivemos afinal no país das inconsequências. O trágico é que demasiadas pessoas já se acomodaram ao facto de viver no país da inconsequência.

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