Avançar para o conteúdo principal

Responsabilidade do PS

O PSD, através do seu líder da bancada parlamentar, Miguel Macedo, tem razão quando acusa o Governo PS de ser responsável pela situação complexa que o país atravessa. A ausência de reformas dignas de nota em áreas como a Justiça e a Administração Pública, a aplicação de políticas erradas em áreas como a educação, um modelo de desenvolvimento económico que redunda invariavelmente em empobrecimento, a manutenção dos piores vícios dos partidos políticos em matéria de partidarização de tudo e mais alguma coisa e o despesismo irresponsável, além da megalomania, subjazem à crise económica que o país atravessa. O maior responsável é inequivocamente o PS.
Todavia, agora é altura de se procurarem soluções para uma situação económica que se agudiza de dia para dia. O PS apresentou o PEC que já foi escrutinado pela oposição e por especialistas que o consideram insuficiente e avesso ao crescimento económico. O PSD tem a obrigação de apresentar alternativas e o Governo a obrigação de ouvir. O PSD apresentou ontem um conjunto de propostas que necessitam de ser mais aprofundadas, mas o Governo desvalorizou esse conjunto de propostas.
Seria profícuo perceber em que áreas e de que forma é que o PSD propõe poupar, falou-se na área da Saúde, e importa perceber se essa poupança implica, por exemplo, mexer de alguma forma com a essência do Serviço Nacional de Saúde. Aquilo que não é difícil perceber é a deriva liberal que se apoderou deste PSD, em manifesta oposição à social-democracia. De resto, o Governo do PS é responsável por políticas erradas que degeneraram no empobrecimento do país, mas em abono da verdade o Governo PS ainda não comprometeu os pilares do Estado social que estão na base de grande parte das democracias europeias.
Na verdade, o grande drama do país é ver-se dividido entre um partido responsável pelo empobrecimento do país e outro que se propõe aplicar uma linha ideológica que compromete o Estado social e que está na origem da crise internacional que ainda nos afecta. De igual modo, pode falar-se numa crise da social-democracia, o que é paradoxal tendo em conta as raízes liberais da crise económica que assolou o mundo.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Mais uma indecência a somar-se a tantas outras

 O New York Times revelou (parte) o que Donald Trump havia escondido: o seu registo fiscal. E as revelações apenas surpreendem pelas quantias irrisórias de impostos que Trump pagou e os anos, longos anos, em que não pagou um dólar que fosse. Recorde-se que todos os presidentes americanos haviam revelado as suas declarações, apenas Trump tudo fizera para as manter sem segredo. Agora percebe-se porquê. Em 2016, ano da sua eleição, o ainda Presidente americano pagou 750 dólares em impostos, depois de declarar um manancial de prejuízos, estratégia adoptada nos tais dez anos, em quinze, em que nem sequer pagou impostos.  Ora, o homem que sempre se vangloriou do seu sucesso como empresário das duas, uma: ou não teve qualquer espécie de sucesso, apesar do estilo de vida luxuoso; ou simplesmente esta foi mais uma mentira indecente, ou um conjunto de mentiras indecentes. Seja como for, cai mais uma mancha na presidência de Donald Trump que, mesmo somando indecências atrás de indecências, vai fa

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa

Outras verdades

 Ontem realizou-se o pior debate da história das presidenciais americanas. Trump, boçal, mentiroso, arrogante e malcriado, versus Biden que, apesar de ter garantido tudo fazer  para não cair na esparrela do seu adversário, acabou mesmo por cair, apelidando-o de mentiroso e palhaço.  Importa reconhecer a incomensurável dificuldade que qualquer ser humano sentiria se tivesse que debater com uma criança sem qualquer educação. Biden não foi excepção. Trump procurou impingir todo o género de mentiras, que aos ouvidos dos seus apoiante soam a outras verdades, verdades superiores à própria verdade. Trump mentiu profusamente, até sobre os seus pretensos apoios. O sheriff de Portland, por exemplo, já veio desmentir que alguma vez tivesse expressado apoio ao ainda Presidente americano. Diz-se por aí que Trump arrastou Biden para a lama. Eu tenho uma leitura diferente: Trump tem vindo a arrastar os EUA para lama. Os EUA, nestes árduos anos, tem vindo a perder influência e reputação e Trump é o ma