Avançar para o conteúdo principal

Responsabilidade do PS

O PSD, através do seu líder da bancada parlamentar, Miguel Macedo, tem razão quando acusa o Governo PS de ser responsável pela situação complexa que o país atravessa. A ausência de reformas dignas de nota em áreas como a Justiça e a Administração Pública, a aplicação de políticas erradas em áreas como a educação, um modelo de desenvolvimento económico que redunda invariavelmente em empobrecimento, a manutenção dos piores vícios dos partidos políticos em matéria de partidarização de tudo e mais alguma coisa e o despesismo irresponsável, além da megalomania, subjazem à crise económica que o país atravessa. O maior responsável é inequivocamente o PS.
Todavia, agora é altura de se procurarem soluções para uma situação económica que se agudiza de dia para dia. O PS apresentou o PEC que já foi escrutinado pela oposição e por especialistas que o consideram insuficiente e avesso ao crescimento económico. O PSD tem a obrigação de apresentar alternativas e o Governo a obrigação de ouvir. O PSD apresentou ontem um conjunto de propostas que necessitam de ser mais aprofundadas, mas o Governo desvalorizou esse conjunto de propostas.
Seria profícuo perceber em que áreas e de que forma é que o PSD propõe poupar, falou-se na área da Saúde, e importa perceber se essa poupança implica, por exemplo, mexer de alguma forma com a essência do Serviço Nacional de Saúde. Aquilo que não é difícil perceber é a deriva liberal que se apoderou deste PSD, em manifesta oposição à social-democracia. De resto, o Governo do PS é responsável por políticas erradas que degeneraram no empobrecimento do país, mas em abono da verdade o Governo PS ainda não comprometeu os pilares do Estado social que estão na base de grande parte das democracias europeias.
Na verdade, o grande drama do país é ver-se dividido entre um partido responsável pelo empobrecimento do país e outro que se propõe aplicar uma linha ideológica que compromete o Estado social e que está na origem da crise internacional que ainda nos afecta. De igual modo, pode falar-se numa crise da social-democracia, o que é paradoxal tendo em conta as raízes liberais da crise económica que assolou o mundo.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

O anacronismo do PCP

Domingos Lopes, destacado militante comunista, decidiu abandonar o partido e explicar o porquê desse abandono. As explicações deste militante vão na mesma linha de outros que se afastaram voluntariamente ou que foram convidados a sair e centram-se na aversão do partido ao diálogo, a dificuldade visível em lidar com a pluralidade de opinião, e na ortodoxia cega que este partido demonstra ter em relação ao que se passa no mundo. É por demais evidente que a saída do militante em questão não terá sido fruto do acaso, a pouco menos de duas semanas de um importante período eleitoral. As razões que estão subjacentes à saída de Domingos Lopes poderão não ser totalmente conhecidas, mas aquilo que é enunciado pelo ex-militante do PCP em matéria de visão do mundo e democracia interna do partido já é sobejamente conhecido. Aliás, as opiniões de dirigentes do PCP sobre regimes totalitários como o norte-coreano já não provocam espanto em ninguém. Dentro do partido há quem se reveja nototalitarismo ...

Afinal não há referendo sobre o Tratado de Lisboa

Tudo indica que o primeiro-ministro vai anunciar hoje a ratificação do Tratado de Lisboa por via parlamentar. Fica assim excluída a hipótese de o mesmo tratado ser ratificado por via referendária. Segundo alguns órgãos de comunicação social, o primeiro-ministro não foi imune às opiniões do Presidente da República, mas também de vários líderes europeus que se opõem à possibilidade de referendo, entre os quais Angela Merkel, Sarkozy e Gordon Brown. Recorde-se que foi feita uma espécie de acordo entre os vários líderes europeus no sentido de fazer a ratificação do tratado sem levantar problemas, ou dito de outro modo, o processo de ratificação nos vários Estados-membros deve ser feito através dos parlamentos. De qualquer modo, os cidadãos europeus ficam, mais uma vez, fora das decisões europeias. Ninguém contesta a legitimidade dos parlamentos para se pronunciarem sobre essa matéria específica, o que se trata é da construção europeia e a sua viabilidade a médio e longo prazo. Ora, se por ...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...