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Espírito de sacrifício

Crises atrás de crises culminam sempre com aquilo que se espera dos cidadãos: espírito de sacrifício. Mas esses sacrifícios não se estendem a uma classe política voltada para si mesma e que passa grande parte do seu tempo com discussões bizantinas. Os problemas que o país atravessa não conhecem soluções dignas desse nome e tudo indica que os próximos anos ainda serão mais difíceis.

Vem isto a propósito das famigeradas viagens da deputada do PS, Inês de Medeiros, que tem residência oficial em Paris, mas foi eleita pelo círculo de Lisboa. Detectou-se uma lacuna na Lei, mas a imagem que a classe política dá de si própria continua a não ser a melhor. Ora, numa altura em que são pedidos grandes sacrifícios aos cidadãos, percebe-se que na Assembleia da República são mantidos os luxos dos deputados, e se dúvidas houver quanto a isso, sugiro que se consulte o orçamento anual para o funcionamento da casa da democracia.

O Presidente da Assembleia da República afirmou que este não será um dos principais problemas do país. Tem razão, não é. Mas o que Jaime Gama não diz é que este problema de somenos é um sinal que não se pode dar aos cidadãos, sob pena de se descredibilizar ainda mais a própria democracia, se é que isso ainda é possível. Não se pode passar a ideia de que os senhores representantes do povo português constituem uma espécie da casta superior. Os sacrifícios - exigidos na sequência de políticas profundamente erradas e consequência directa da inépcia de quem nos governa - não podem ser pedidos exclusivamente aos cidadãos enquanto que outros nem se apercebem, cegos pelo egocentrismo, do mal que fazem à democracia.

Comentários

Joaquim Ferreira disse…
Sem dúvida... Melhor que fazer aqui qualquer comentarário é desafiar os leitores a visitar um texto em Viagens à Minha Terra com Inês de Medeiros.

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